Alex entrou no meu quarto sem bater na porta, ele examinou o meu rosto, ofegante.
— O que aquela louca fez com você, Bella?
Eu simplesmente corri para os seus braços, queria ficar ali para sempre!
Alex me afastou segurando os meus braços. Ele falava alterado:
— Eu vou mandar prender essa mulher, eu vou deixá-la apodrecer na cadeia!
— Não!— eu quase gritei.
Alex se assustou.
— Por favor, não!— eu supliquei.
Alex franziu a testa.
— Ela é má, mesquinha!
— Mas é só comigo!— eu expliquei .
— Por quê?
Eu fiquei sem jeito, mas acabei por explicar.
— Eu nasci quando ela ainda era muito jovem, eu sou o preço pelo pecado.
— O quê!— Alex ficou indignado.
Eu dei de ombros e continuei, porque aquele assunto sempre foi corriqueiro na minha casa, desde quando a minha avó ainda era viva.
— É isso, Alex! Ela me odeia por isso, e a minha avó odiava ela pelo mesmo motivo e deve ter havido outras mulheres na família que nos antecederam!
— E você acha isso normal? Não pode imaginar que isso possa acontecer com você!
— Por que?— eu o desafiei.
Alex respondeu imediatamente:
— Porque você é uma moça esclarecida! Só vai acontecer se você quiser!
— E as vezes em que transamos sem preservativo?— eu levantei a questão.
Alex ficou apavorado e jogou os cabelos para trás, nervosamente.
— Isso não é engraçado!— ele disse sem me olhar.
— Eu também não acho!— concordei seca.
Ficamos nos olhando como se estivéssemos numa arena e fôssemos inimigos mortais.
Naquele momento, eu já tive certeza de que Alex não aceitaria tão fácil uma gravidez. Eu não estava preparada para uma possível rejeição.
Ele soltou os meus braços num gesto de desânimo.
— Isso não pode acontecer, Bella! Simplesmente não pode!
Eu virei o rosto aborrecida, Alex me olhou e se aproximou querendo rir.
— Ei, não faça assim, vem aqui minha bravinha!
Eu me deixei conduzir para os braços do meu amor e me aninhei ali.
— Eu vou te proteger, Bella! Não vou deixar que nada de mal te aconteça, eu prometo!
Eu gostei de ouvir aquelas palavras de conforto, embora achasse que não merecia. Até quando eu iria fingir ser uma pobre moça inocente? E quando Alex descobrisse a forma com que eu entrei na sua vida, o que faria?
Ele estava agora passando os dedos delicados no meu machucado.
— Ei, isso foi feio! Quanta maldade!
Alex começou a dar muitos beijinhos ali e eu fiquei manhosa, bem manhosinha!
Ai meu Deus, eu só desejava que ele nunca descobrisse o plano maquiavélico do qual eu fazia parte.
Só tinha um jeito de sair daquela situação. Primeiro, não estar grávida, segundo enfrentar a minha mãe como eu nunca consegui, e o pior, aceitar ser só amante do Alex e me arriscar ver ele se casar com uma daquelas doutoras que viviam a lhe cercar.
A verdade é que não havia saída. Uma hora, eu teria que enfrentar a fúria do Alex, porque a minha mãe não permitiria simplesmente que eu desistisse de colaborar.
De repente, Alex falou sério:
— Bella, quero que você se sente à mesa e jante conosco.
Eu recusei rapidamente:
— Não! A sua mãe não gosta de mim! Ela nunca vai me perdoar por derramar refrigerante na roupa da juíza!
— Não se importe com ela. Eu mando nesta casa, Bella!
Eu fiquei pensativa. A dona Mirtes era bem capaz de tirar as regalias do filho por minha causa.
— Alex, não quero te prejudicar! Eu sei que a sua mãe é dona dessa casa e de toda a sua fortuna!

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