Nesse dia, eu tive que fingir que estava tudo bem. Dormimos agarradinhos e a noite demorou a passar. Eu achava que tudo de maravilhoso que eu podia viver ao lado do Alex eu já tinha vivido, agora era só esperar ele se decepcionar para saber o que seria de mim.
Adriana esteve com a mãe e achou o plano de Mirtes um absurdo.
— Eu entendo a preocupação dela, mãe, mas eu não teria coragem de fingir uma gravidez para obrigar o Alex a se casar comigo! Eu concordei em dopar ele, mas a minha intenção era fazer com que ela se desvanecesse dele, não o enganar?
Dinah falava cautelosa com a filha, devido ao seu forte gênio.
— Filha, mas se você fingir só até se casar? Afinal, você o ama!
— Eu não aguentei segurar muito tempo a mentira, mãe! Alex não é bobo! Ele logo percebeu que era armação!
Dinah concordou, mas logo rebateu:
— Então porque não enxerga o golpe da barriga que essa moça quer dar?
Adriana deu de ombros.
— Acho que ele está apaixonado por ela!
— Por uma babá! Ele não pode se relacionar com pessoas desse nível!
Adriana suspirou e explicou:
— Parece que a moça foi bem criada. O padrasto que faleceu era muito rico! É uma longa história, mãe!
— Mirtes vai ficar desesperada, ela conta com a sua ajuda!
— Eu fiz uma proposta para ele!
— Que proposta?— Dinah ficou curiosa.
— Pedi ele em casamento. Para o proteger de um possível golpe!
— E ele?
— Não topou por enquanto, mas vamos agradar!
Eu tive que combinar com Giorgia para fingirmos que fomos ao ginecologista. Compramos até um anticoncepcional.
— Mesmo assim vamos usar preservativo por um tempo — Alex disse precavido.
— Claro!— eu apenas concordei.
Nos dias que se seguiram, eu me comportei normalmente. Sentava à mesa e tinha que suportar o olhar sempre reprovador de Mirtes.
Andradas andava aborrecido com Giorgia e dizia querer saber quem era a pessoa com quem ela estava se relacionando. Ela e Theo estavam muito bem, cada dia mais apaixonados.
Eu fui visitar minha mãe escondido do Alex, porque sentia saudade do meu irmão. Até lhe levei um brinquedo. Theo foi comigo e como aconteceu na última vez, minha mãe pediu para que ele fosse brincar lá fora com o Felippo que ela precisava falar comigo.
— Tem certeza, Bella?— ele ficou preocupado.
— Está tudo bem!— Eu disse sorrindo forçadamente.
Quando ficamos a sós, começou a pressão:
— E aí, menina? Precisamos agilizar o nosso plano!
— Seu plano, não é mãe?— eu corrigi, resignada.
Minha mãe deu de ombro.
— Conseguiu engravidar do Juiz? — ela quis saber.
Eu achava que estava grávida, mas não me toquei que minha menstruação já estava bem atrasada. Eu dei de ombros e minha mãe avançou para mim falando impaciente:
— Você é muito burra mesmo, hein? Eu já fiz as contas, Bella, você já deve estar com dois meses! Agora é só fazer um exame para esfregar na cara do trouxa do seu patrão!
Eu arregalei os olhos e comecei a suar frio. Segurei o ventre num gesto automático pela percepção de que minha mãe podia estar certa.
— Verdade, não tenho menstruado!— exclamei confusa.
— Vamos logo ao médico fazer esse exame!
— Não!
Minha mãe perdeu a paciência.
— Como não? Por que está desse jeito? Não era o plano, garota?
Eu saí correndo e fui encontrar o Theo passeando pelo condomínio com o Felippo.
— Bella! O que aconteceu?— ele ficou surpreso.
— Preciso ir embora!— respondi ofegante.
Saímos a caminho de casa para deixar o Felippo. Minha mãe estava encostada na porta, me olhando curiosa.
Eu parei e agachei para olhar nos olhos inocentes do meu irmão. Eu senti uma dor muito grande quando tive que me despedir dele naquele momento.
— Fê, eu te amo muito!

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