Eu relaxei. Se tivesse que ir embora dali, quando olhasse para trás, eu teria uma última lembrança para me acalentar.
Alex trouxe os seus olhos penetrantes me hipnotizando.
— Bella, minha Cinderela!
Eu assustei e sorri. Nossa, por que o Alex estava tão maravilhoso daquele jeito? Meu Deus, se eu pudesse contar apenas que estava grávida e ficar ali para lhe conquistar, seria bem mais simples do que ir embora sem destino.
Eu era tão jovem e de pouca vivência que não media as consequências de sumir pelo mundo grávida, sem destino. A única coisa que me atormentava, era saber que a minha mãe viria cobrar do Alex, lhe ameaçar.
Ele me beijou ofegante e eu só consegui pensar que ele estava ali dentro de mim, se mexendo frenético.
— Minha gostosinha!
Eu tinha o riso fácil. Aquela noite foi inesquecível. Alex estava muito fogoso, feliz!
Os beijos ardentes me enlouqueciam e o meu corpo reagia. Os meus braços e pernas abraçaram o corpo quente do Alex e nos tornamos um só.
— Bella…
— Alex…
Eu senti o meu calor e o dele concentrados ali na minha entrada. O orgasmo veio para nós dois e nos deixamos relaxar de mãos dadas, olhando para o teto. Suspiramos ao mesmo tempo e sorrimos.
Ali eu silenciei o meu amor. Eu nunca mais falaria dele. Quando eu fosse embora dali, Alex descobriria todo o meu plano e iria me odiar.
Adormecemos e entramos num sono profundo. Quando o dia clareou, eu me levantei e juntei numa bolsa as roupas que couberam nela. Passei no banheiro e peguei alguns cosméticos.
Alex se mexeu e eu pensei que ele fosse acordar, mas virou para o outro lado e continuou dormindo.
Eu desci as escadas na ponta dos pés. Abri a porta principal e alcancei o jardim. Parece que consegui respirar melhor.
Olhei para o grande portão e suspirei entristecida. Caminhei levando a minha pequena bagagem.
De repente, alguém se aproximou por trás de mim. Eu me virei subitamente.
— Theo!
Ele sorriu com aquela paz que só os amigos são capazes de transmitir.
— Se tem mesmo que fazer essa loucura, deixa eu te ajudar!— ele disse me estendendo a mão.
— Você pode me entender, não é Theo?
— Claro! Vamos!
Entramos no carro do Alex e partimos. Eu fiquei preocupada com o meu amigo:
— Theo, não quero te complicar! O Alex vai saber que me ajudou! Estamos no carro dele!
— Não se preocupe, eu sempre levei esse carro para casa.
— Mas ele vai saber que dormiu na mansão!— eu argumentei apreensiva.
— Só tem uma pessoa que sabe, Bella, essa pessoa não vai me entregar!
E essa pessoa acordou normalmente, como sempre faz, para fazer o café dos patrões.
Giorgia esticou o pescoço na direção do corredor, esperando que Theo viesse lhe ajudar, atraído pelo aroma do seu café.
Ela ficou falando sozinha enquanto preparava o desjejum:
— Hoje ele está preguiçoso, nem o meu café o acordou cedo! Vou me virar sozinha mesmo!
Theo sempre acordava para ajudar Giorgia, desde que começaram a namorar.
A hora foi se passando e só quando Giorgia terminou de colocar a mesa, Theo chegou agitado.
Giorgia ficou boquiaberta ao vê-lo chegar pela porta da frente.
Alex descia as escadas normalmente, já pronto para trabalhar num terno impecável.
— Chame a Bella, Giorgia!— ele ordenou.
Giorgia olhou desconfiada para Theo que tinha os olhos aflitos.
— Bella, senhor? Ela não está lá em cima?
Alex franziu a testa surpreso.
— Não está na copa? Eu acordei e não estava mais no quarto! Achei que desceu para lhe ajudar!
Giorgia engoliu em seco e trocou um olhar assustado para Theo.
— Você sabe alguma coisa, Theo? — Alex quis saber.
Theo ergueu as sobrancelhas, nervoso.
— Ah, não senhor! Eu não sei dela!— ele gaguejou.
Alex suspirou impaciente. Os seus pais desciam as escadas nesse momento.
— Aconteceu alguma coisa?— Mirtes quis saber.
Antes que Alex respondesse, Cristal apareceu no alto da escada chorando.
Os avós se viraram preocupados. A menina passou por eles e foi abraçar o pai, lá embaixo.
— Ela deixou um bilhete, ela foi embora!

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