POV: LAUREN
— Mamãe, por favor! Henry vai surtar quando descobrir o que você fez. — Exclamei, olhando para mais uma fornada de cupcakes saindo do forno, enquanto Theo, coberto de cobertura dos pés à cabeça, montava sua obra-prima com chocolate e confeitos coloridos. — Ele já comeu muito doce!
— Ah, Lauren, deixa o menino ser criança! — Minha mãe bufou, revirando os olhos, enquanto organizava a bancada. — Te criei assim, cheia de mimos e açúcar, e veja só, você se tornou uma mulher adulta e saudável. Então me deixe estragar esse pequeno anjinho à minha maneira.
Theo olhou para mim com os olhos brilhando de felicidade, a pontinha do nariz suja de chantili.
— A vovó é maravilhosa, Fada! — o pequeno completou.
Suspirei, já derrotada.
— Viu só? — Minha mãe sorriu vitoriosa, piscando para mim. — Sou uma vovó maravilhosa!
— Você está ferrada, amiga. — Kate interveio entre risadas, se divertindo com a cena. — Com toda certeza ela vai mimar Theo e o bebê até não poder mais.
Passei as mãos pelas têmporas, rindo baixinho.
— Que Deus me ajude… — Eu sorri.
Mas, no fundo, a cena aquecia meu coração. Minha mãe e Theo tinham uma conexão linda. O jeito que ele a olhava, o carinho sincero entre os dois… Não tinha como não sorrir ao vê-los juntos.
Mas o clima leve foi interrompido por uma voz firme vinda da porta:
— Parece que um vendaval passou por essa cozinha.
Meu corpo enrijeceu na mesma hora. Henry estava parado ali, braços cruzados, olhar sério percorrendo o caos que criamos.
Engoli em seco, esperando sua reação.
— Theodor, você está todo sujo. — Henry acrescentou.
Theo congelou.
— Eu… — Ele gaguejou, os olhinhos arregalados, como se já esperasse uma bronca.
— Eu vou limpar tudo e organizar a cozinha. — Me apressei em dizer, mas parei no meio da frase ao ver Henry arregaçar as mangas da camisa social e se aproximar de Theo.
— O que você está fazendo? — Eu perguntei, ainda surpresa.
Ele pegou um cupcake da bandeja e ergueu uma sobrancelha, como se minha pergunta fosse desnecessária.
— Tive um dia cheio e estressante. Cupcakes caseiros parecem o remédio perfeito. O cheiro está maravilhoso. — Ele piscou para mim, me deixando boquiaberta.
Olhei para Kate, que deu de ombros, segurando um cupcake e sorrindo.
— Ele tem razão, o cheiro está divino. Pena que tudo isso vai direto para o meu quadril e coxas. — Ela fez um bico fingido triste.
— Não há nada de errado com o seu corpo. — A voz de Lucian surgiu da porta, chamando a atenção de todos. Ele coçava a nuca, parecendo um pouco tímido. — Você é magnífica, Kate.
Minha amiga ficou sem reação por um segundo, abaixando a cabeça, claramente envergonhada. Mas eu notei o sorriso pequeno e satisfeito que apareceu em seus lábios.
— Lucian, não sabíamos que viria! — Eu falei, animada com a surpresa. — Por favor, sente-se. Você precisa provar as guloseimas da minha mãe, são divinas.
Minha mãe, que estava organizando algumas coisas na pia, virou-se ao ouvir aquilo, parecendo interessada.
— Sra. Amélia, devo admitir que Lauren tem razão. — Henry disse, dando mais uma mordida no cupcake e saboreando lentamente. — São os melhores que já comi. E olha que invisto na marca de bolos mais cara e poderosa da cidade.
Mamãe arregalou os olhos, claramente emocionada. Seus lábios se entreabriram levemente, e ela olhou ao redor, vendo todos saboreando os doces com sorrisos genuínos. Seus olhos brilharam com lágrimas contidas, e eu soube, naquele momento, que aquilo significava muito para ela.

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