POV: HENRY
James continuou, alheio, focado no próximo lance do jogo.
— Deve estar emperrada. — Ele murmurou, finalmente se dignando a olhar para mim com a testa levemente franzida.
Meu coração acelerou ligeiramente. Alguma coisa não estava certa.
— O quê? — Eu perguntei, franzindo o cenho. Forçando novamente a porta tentando girar a maçaneta mais uma vez. Nada. — A porta não quer abrir. Está trancada! — Cocei as têmporas, respirando fundo antes de agarrar o colarinho da camisa de James. — Abra a porta, James!
— Ei, calma aí. Eu não tenho nada a ver com isso. — Ele ergueu as mãos em uma atitude defensiva, mas o brilho de diversão em seus olhos me irritou ainda mais.
— O que você está aprontando? — Eu apertei ainda mais o tecido entre os dedos, minha paciência se esgotando rapidamente. — Você nunca se desculpa, nem mesmo quando é um completo babaca idiota. Me atraiu aqui para cima para me prender. Por quê?
James apenas sorriu, erguendo a cerveja e virando mais um gole antes de me encarar friamente.
— Lauren! — Eu gritei, empurrando James com força. Ele cambaleou para trás, derrubando parte da bebida sobre o próprio peito.
— Ah, Carter… eu adorava este terno. — Ele olhou para si mesmo com um falso ar de ofensa, sacudindo as mãos como se pudesse afastar o líquido. — Qual foi, Henry? Estávamos nos divertindo sem aquela babá de quinta.
Meu estômago revirou. O ódio subiu à garganta em um nó sufocante.
— Abra esta porta, James, ou eu juro que te jogo daqui de cima! — Minha voz saiu explosiva, minha paciência se esvaindo enquanto tentava arrombar a porta com o ombro. A madeira nem sequer cedeu.
— Eu vou te arrebentar e usar sua cabeça para abrir essa droga! — Me virei para encará-lo, punhos cerrados, o corpo inteiro tremendo de raiva.
James olhou para o relógio de pulso e, com um gesto teatral, ergueu a mão, mostrando as chaves entre os dedos.
— Está bem, ei, calma… — Ele riu, se aproximando da porta e destrancando-a sem pressa. — Viu? Está livre.
Meu peito subia e descia com a respiração acelerada.
— James, se algo tiver acontecido com a minha esposa e meu filho, eu juro por Deus que vou arrancar sua vida com as minhas próprias mãos! E os seus dentes quebrados não serão nada comparado ao que eu farei com você! — Minha voz saiu grave, carregada de ódio e ameaça, enquanto apontava o dedo direto no rosto dele. Meu corpo inteiro vibrava de fúria, minha respiração pesada, meu coração martelando contra o peito.
James sorriu, debochado, os olhos brilhando com uma malícia cruel. Ele inclinou a cabeça levemente, fingindo compaixão antes de soltar uma risada baixa e provocativa.

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