POV: LAUREN
A tensão no ar parecia crescer, até que um homem robusto, de bigode e com ar de autoridade, se aproximou.
— Ora, Henry, precisamos mesmo de toda essa cena? — Ele falou com um tom conciliador, mas também condescendente. Só então percebi que era Roger, o pai de James. — Foi apenas um mal-entendido entre as damas.
Henry soltou uma risada seca e irônica, cruzando os braços, enquanto sua veia na testa parecia mais evidente.
— Roger, deveria selecionar melhor os seus convidados! — Retrucou ele impaciente, sua postura imponente e olhar frio deixando claro o desconforto com a situação.
Antes que mais palavras fossem ditas, senti um toque no meu ombro. A voz calorosa de Margareth me pegou de surpresa.
— Sra. Becker, nossa, há quanto tempo! — Ela exclamou com gentileza antes de me envolver em um abraço apertado, sua presença era quase um alívio no meio de toda aquela confusão. Ela sussurrou em meu ouvido: — Venha, querida. Vamos sair dessa bagunça deselegante.
Assenti levemente, aceitando sua oferta, e segurei a mão de Theodor, sorrindo para ele com a intenção de confortá-lo.
— Senhoritas Frigers, peço desculpas por qualquer inconveniência. Com licença. — Minha voz saiu firme, mas contida, enquanto tentava encerrar a situação de forma educada. Percebi, no entanto, que minhas palavras causaram uma reação imediata em Henry. Seus punhos se fecharam, e ele me lançou um olhar intenso que fez meu estômago revirar de nervosismo. Um frio percorreu minha espinha ao ver a irritação contida em seu rosto.
Margareth me conduziu para longe da confusão, sua mão gentil segurando a minha com firmeza. Theo caminhava ao meu lado, cabisbaixo, os ombros caídos. Tentei sorrir para ele, mas minha mente ainda estava presa à imagem de Henry parado, me encarando de longe. Havia algo em seu olhar, um misto de intensidade e contenção, que não consegui decifrar. Antes que eu pudesse pensar mais nisso, a voz de Margareth me trouxe de volta à realidade.
— Aquelas garotas... Francamente, o Sr. Friger deveria tê-las educado melhor. — Ela comentou, visivelmente indignada, enquanto nos guiava para uma mesa tranquila.
Respirei fundo e olhei para Theo, que ainda parecia abatido. Assim que nos sentamos, ele começou a balançar os pés na cadeira, visivelmente ansioso. Decidi quebrar o silêncio.
— Ei, meu valente, não precisa ficar assim. — Falei com a voz suave, tocando gentilmente seu ombro.
Ele levantou os olhos para mim, com um brilho de culpa.
— Mas foi por minha causa que tudo aquilo aconteceu. — Ele balbuciou, mexendo nas mãos nervosamente. — E o tio Henry está bravo com você. Ele vai te demitir por minha culpa, não vai?
Meu coração apertou ao ver o quão preocupado ele estava. Ajoelhei ao lado da cadeira para ficar na altura dele, segurando suas pequenas mãos.
— Theo, olha para mim. — Esperei até que ele erguesse os olhos. — Nada disso foi culpa sua. Você só estava tentando me proteger, e eu sou muito grata por isso. Quanto ao seu tio, ele não está bravo comigo, está bravo com a situação. Henry é assim, às vezes parece assustador, mas ele sempre age pensando no que é melhor para você. E eu não vou a lugar nenhum, está bem?
Ele me olhou por um instante, como se estivesse processando minhas palavras, e finalmente assentiu, embora ainda um pouco hesitante.
— Promete, fada? — Ele perguntou baixinho, estendendo o dedo mindinho para mim.
Sorri e entrelacei meu dedinho no dele.
— Prometo, meu pequeno guardião.
Margareth observava a cena com um sorriso discreto, parecendo satisfeita por ver Theo mais calmo.
— Theodor, por que não vai brincar com as crianças que estão correndo ali? Aposto que vão adorar sua amizade. — Margareth sugeriu com um tom carinhoso. — Eu cuido da Lauren enquanto isso, está bem?

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