POV: HENRY
A passos largos, segui em direção ao choro, sem olhar para trás. Só percebi que tinha pego a mão de Lauren e a puxado para acompanhar meu ritmo quando paramos no playground. Lá estava Theodor, sentado no chão ao lado do escorregador, segurando a perna e chorando alto.
— Garotão, o que houve? — Perguntei, ajoelhando-me rapidamente ao lado dele. Notei os olhares das pessoas ao redor, e apenas então percebi que minha mão ainda estava enlaçada à de Lauren. Ela soltou a minha imediatamente e deu um passo para trás, desviando o olhar.
— Tio Henry, está doendo! — Theodor choramingou, ainda mais alto. Minha atenção voltou para ele, e vi o sangue escorrendo de seu joelho.
— Eu te avisei que você cairia, garoto! — Mia disse, dando um passo à frente, com um tom irritante e cheio de falsa superioridade. — Tentei segurá-lo, mas ele me empurrou e acabou caindo!
— Mentira! Ela me derrubou! — Theodor gritou, apontando para Mia, sua voz carregada de dor e indignação.
Tentei examinar melhor sua perna, mas ele gritou ainda mais alto, recuando instintivamente.
— Dói muito! Para, tio Henry! — Ele berrava, o desespero evidente em cada palavra.
— Chamem uma ambulância! — Gritei, minha voz ecoando feroz e imperativa, enquanto passava as mãos pelos cabelos, tentando controlar a angústia. — Calma, Theo, você vai ficar bem. Prometo que vai passar. — Tentei tranquilizá-lo, deslizando os dedos suavemente por seus cabelos, mas ele continuava tremendo, soluçando de forma desconsolada.
Olhei ao redor, irritado com a inércia de todos.
— Alguém aqui é médico? Algum médico, por favor! — Minha voz era urgente, quase desesperada, enquanto buscava qualquer sinal de ajuda.
— Henry? — Lauren tocou meu ombro, sua voz doce e baixa tentando captar minha atenção. — Você precisa se acalmar, está assustando-o.
— Ele está sangrando e com dor! É por isso que está assustado! — Explodi, minha voz saindo mais ríspida do que pretendia. Senti meu corpo tenso e minha respiração pesada. — Você deveria ter ficado ao lado dele. É para isso que eu pago!
Lauren me lançou um olhar surpreso, os lábios entreabertos, mas não respondeu. Apenas assentiu, se ajoelhou ao lado de Theodor, de frente para ele, e ignorou completamente minha reação.
— O que está fazendo? — Questionei, ainda irritado, minha voz carregada de impaciência.
— O que sou paga para fazer. — Respondeu com firmeza, sem nem me olhar, enquanto dava de ombros. Então, voltou sua atenção para Theo, que soluçava desesperado. — Meu valente, será que posso dar uma olhadinha?
— Está doendo muito, fada... — Ele choramingou, esfregando os olhos com as mãozinhas trêmulas.
— Eu sei, toda ferida dói. — Lauren sorriu para ele, seu tom calmo e reconfortante. — Mas vamos cuidar disso juntos, está bem?
Ela olhou ao redor, mantendo o tom sereno.
— Alguém pode trazer água com gás e toalhas limpas?
— Ele precisa de um médico, não de uma desqualificada brincando de enfermeira! — Mia interveio, sua voz carregada de veneno. — Deixa que eu o levo.

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