POV: LAUREN
Fechei a porta e soltei um suspiro profundo, sentindo meu coração bater mais rápido do que o normal. Minhas mãos estavam suando e tremiam levemente, enquanto eu tentava me acalmar. Do outro lado da porta, ouvi seus passos lentos e deliberados, parando bem na frente da minha porta. Meu corpo reagiu antes mesmo de eu pensar: dei um passo para trás, balançando a cabeça em negação.
— Por favor, não venha — Eu murmurei para mim mesma, minha voz quase um sussurro. Cedi mais alguns passos, hesitante, enquanto observava sua sombra sob a porta se afastar lentamente. Meu peito apertou, e uma onda de confusão tomou conta de mim. — O que eu estou fazendo?
Virei-me e caminhei até o espelho, tentando desesperadamente abrir o zíper do vestido que teimava em não funcionar. Mordi os lábios, frustrada com a situação.
— Seria mais fácil continuarmos de onde paramos — Eu resmunguei baixinho, quase como uma brincadeira comigo mesma. — Pelo menos a roupa sairia com mais facilidade.
A frase saiu antes que eu pudesse me controlar, e, de repente, um pensamento indesejado invadiu minha mente. Lembrei do toque quente de seus dedos, da forma como ele me olhava, da intensidade que parecia emanar dele. Instantaneamente, minha pele ficou arrepiada, e eu balancei a cabeça, tentando afastar aquela imagem.
— Lauren Becker, ele é o seu chefe — Eu disse a mim mesma, firme, como se precisasse me lembrar da realidade. — E já deixou bem claro que você não passa de uma empregada. Ainda não aprendeu a lição com Ethan?
Mas o zíper do vestido continuava emperrado, e eu estava presa, tanto fisicamente quanto emocionalmente. Frustrada, peguei meu celular e liguei para Kate. Precisava de ajuda, não só com o vestido, mas para colocar minha cabeça no lugar.
— Amiga, está acordada? — perguntei, olhando para o relógio. Já passava da meia-noite. — Preciso de um super resgate de emergência.
— Oi? O que o idiota fez? — Kate respondeu na hora, pronta para agir. — Me manda o endereço, estou indo aí matá-lo!
Eu ri da mensagem. Sabia que Kate não brincava quando se tratava de me proteger. Até os mais corajosos tinham medo dela quando ela entrava no modo defensivo. Enviei a localização rapidamente.
— Não precisa matar ninguém — expliquei, ainda rindo. — É que o zíper do meu vestido emperrou, e eu não consigo tirá-lo sozinha.
— Você quer que eu atravesse a cidade só para te ajudar a tirar um vestido? — Kate resmungou, claramente achando a situação engraçada. — Por que não pede ajuda ao seu chefe gostosão? Aposto que ele adoraria te ver sem roupa.
— Kate, você sabe que não posso me envolver com ele ou com qualquer outro homem, ainda mais nas minhas condições atuais! — retruquei, sentindo uma mistura de frustração e vergonha. Mesmo assim, a ideia de Henry me ajudando a tirar o vestido fez meu corpo formigar, e uma onda de calor subiu pelo meu peito.
— Sua sem-vergonha, você está imaginando as mãos dele, né? — Kate provocou, e eu senti meu rosto queimar. Como ela sabia?
— Chego aí em breve — ela continuou rindo do outro lado da linha. — E, Lauren, seu bebê não acharia ruim se a mãe tivesse um ou dois orgasmos. Lembre-se: mamãe feliz, filho feliz.
Eu soltei uma risada nervosa, tentando ignorar o quanto aquela conversa estava me deixando sem jeito. Kate sempre tinha um jeito de cutucar exatamente onde doía ou, nesse caso, onde formigava.

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