POV: HENRY
— Eu... me arrependo, meu amor. — Mia avançou de repente, tentando me abraçar.
Um gemido de dor escapou quando toquei meu abdômen.
Antes que eu pudesse reagir, Lauren percebeu e agarrou o braço de Mia com força, suas unhas cravando na pele dela.
— Ele está ferido, sua maldita! — Lauren gritou, empurrando-a com força.
Mia cambaleou para o lado, surpresa, mas o olhar dela logo se transformou em puro ódio.
— Henry, seu curativo... — A voz de Lauren tremeu ao notar o sangue se espalhando pela bandagem.
Olhei para baixo e vi a mancha vermelha crescendo. Uma tontura me atingiu, e dei um passo instável para trás, apoiando-me na maca.
Lauren se aproximou rapidamente, segurando meu braço e me ajudando a me ajeitar na cama. Mia tentou se aproximar, mas Kate entrou em sua frente como um escudo.
— Se você der mais um passo, eu te arrasto daqui na base dos t***s! — Kate disparou friamente, avançando um passo para reforçar a ameaça.
Mia hesitou, os punhos fechados ao lado do corpo. Seus olhos encontraram os meus, carregados de raiva e frustração.
— Isso não vai ficar assim, Henry! Vocês vão pagar por essa humilhação! — Ela gritou, bufando antes de virar nos saltos e sair pisando forte pelo corredor.
— Kate? — Lauren a chamou, ignorando Mia completamente. — Chame o médico, por favor.
Kate assentiu e saiu apressada.
Me virei para Lauren, sentindo o peso do que acabara de acontecer.
— Viu? Eu também tenho loucos atrás de mim. — Eu brinquei, tentando soltar uma risada, mas uma pontada de dor me fez gemer.
Lauren franziu o cenho e me empurrou suavemente contra a cama.
— Não se esforce, Henry. — Sua voz saiu firme, mas preocupada. — Você precisa descansar. O médico já está vindo.
Estiquei a mão, segurando a dela antes que pudesse recuar.
— Fique comigo. — Eu falei.
Ela hesitou.
— Eu prometo me comportar dessa vez. — Eu acrescentei, segurando seu olhar.
Ela soltou um suspiro profundo, mas não se afastou.
— Duvido disso. — Lauren sorriu de leve, mas me empurrou para o canto da cama antes de se sentar ao meu lado.
Foi quando percebi seu rosto se contorcer em um breve sinal de dor.
— Você se machucou? — Perguntei, a preocupação evidente em minha voz.
Meus dedos deslizaram para sua bochecha, analisando sua expressão tensa.
Ela abriu a boca para responder, mas antes que pudesse dizer algo, a porta se abriu bruscamente.
O médico entrou, seguido por Kate… e para nossa surpresa...
— Então é verdade. — A voz embargada do garoto chamou nossa atenção.
Seus olhos estavam vermelhos, inchados, como se tivesse chorado por horas.
Ele parou na entrada, os lábios tremendo. Seu olhar pousou em mim, e a dor em sua expressão me atingiu direto no peito.
— Te machucaram, tio Henry!
Theodor me olhava como se eu estivesse à beira da morte.
Ele correu para o lado da cama, os olhos fixos no curativo que cobria meu abdômen.
— Você está sangrando! — Sua voz falhou no meio da frase, e suas pequenas mãos se fecharam em punhos ao lado do corpo.
— Não é nada grave, campeão. — Minha voz saiu mais firme do que eu esperava, tentando tranquilizá-lo.
— Você levou uma facada! — Ele exclamou, os olhos brilhando com lágrimas que ele claramente tentava conter. — Eu vi na TV.
Soltei um suspiro, sentindo a tensão em cada músculo do meu corpo.
— E estou bem. — Afirmei, forçando um sorriso. — Como você chegou aqui?

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