POV: HENRY
Depois de alguns dias, Lauren finalmente recebeu alta do hospital. O médico reforçou a necessidade de repouso absoluto, uma alimentação balanceada e, para seu completo constrangimento, nenhuma relação íntima.
Quando ele mencionou essa última parte, Lauren se engasgou com a própria saliva, tossindo enquanto seu rosto ganhava um tom vermelho vivo.
Eu me segurei para não rir, apenas observando seu desconforto.
No caminho para casa, ela permaneceu em silêncio, desviando o olhar sempre que eu tentava iniciar uma conversa. Mas, ao chegar, sua postura mudou.
Ela parou no pé da escada, olhando para cima como se avaliasse a distância até seu quarto.
— O que pensa que está fazendo? — Eu questionei, arqueando uma sobrancelha.
— Estou subindo escadas? — Ela franziu o cenho, me lançando um olhar de desafio.
— O médico disse sem esforço, lembra? — Eu cruzei os braços, aguardando que ela admitisse a teimosia.
Lauren bufou, revirando os olhos.
— Sr. Carter, são apenas degraus, nada que vai exigir muito...
Antes que pudesse terminar a frase, a ergui do chão em um único movimento, segurando-a firmemente nos braços.
— O que está fazendo?! Me coloca no chão! — Ela protestou, se debatendo levemente.
— Colocarei... quando chegarmos ao quarto. — Eu pisquei, notando como ela apertou os lábios, claramente desconcertada.
Lauren virou o rosto, tentando esconder o rubor nas bochechas. Mas eu não deixaria passar despercebido.
Aproveitei a proximidade, afundando o nariz em seus cabelos, inalando seu perfume suave e sussurrando junto ao seu ouvido:
— Não é tão ruim assim ficar perto de mim, Becker. — Eu provoquei.
Senti seu corpo estremecer sutilmente, mas ela permaneceu quieta, sem me enfrentar dessa vez.
— Olha! O tio Henry está te levando como uma noiva, Fada! — A voz animada de Theodor ecoou na escada enquanto ele subia aos saltos, rindo. — Nossa, tio, você é forte!
Lauren se mexeu nos meus braços, visivelmente mais envergonhada.
— Theodor, pare de falar besteira. — Ela resmungou, mas sua voz saiu fraca, sem real convicção.
— Eu sou forte mesmo, garotão. — Eu respondi, lançando um olhar divertido para Theo. — E sua Fada precisa de cuidado. Então, sem discussões.
Lauren suspirou, cruzando os braços, claramente vencida.
— Theo, vá se aprontar para a escola. Lauren precisa descansar. — Eu inclinei a cabeça, indicando que ele deveria seguir para o quarto.
— Está bem... — Ele resmungou, mas em vez de sair, se aproximou, parando bem ao meu lado. Olhou para Lauren, depois para sua barriga, hesitou por um instante e, para nossa surpresa, acariciou a barriga dela com delicadeza.
— Até mais tarde, Fada. — Ele sussurrou, mas antes de ir, se pôs na ponta dos pés e beijou a barriga de Lauren. — Bebê, eu volto para a gente ver um filme juntos.
O choque tomou conta do ambiente. Lauren e eu ficamos em silêncio, apenas observando Theo correr pelo corredor.
Soltei um longo suspiro e segui adiante, passando direto pelo quarto dela.
— Henry, meu quarto... — Lauren começou, mas ignorei completamente, abrindo a porta do meu e entrando com ela nos braços.
A coloquei na minha cama.
— Não, sem chances. — Ela tentou se levantar de imediato, mas pressionei os ombros dela de volta contra o colchão, mantendo minha mão firme.
— Becker, você precisa de repouso e alguém para ficar de olho em você. — Minha voz saiu baixa, firme. — Minha cama é maior. Você dormirá aqui comigo.
Ela arregalou os olhos, sua expressão uma mistura de incredulidade e teimosia.

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