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A babá sequestrada pelo alfa romance Capítulo 10

O amanhecer chegou silencioso.

A luz pálida do sol entrou pelas frestas da cortina pesada, deslizando pelo chão do quarto de hóspedes e tocando o corpo de Liana encolhido no canto da cama. Ela não havia dormido, em nenhum momento. O corpo doía, a mente estava exausta, e as roupas que vestia haviam secado no próprio corpo depois da noite longa, fria e cheia de medo.

Os olhos ardiam, o coração estava pesado.

Ela ainda podia sentir o gosto da raiva, da humilhação… Mas também se lembrava do beijo, de como se sentiu. Os curativos doíam, mas as aspirinas que deixaram no quarto ajudaram muito e quando amanheceu ela mesma trocou as ataduras para evitar uma infecção.

Quando ouviu o clique suave da maçaneta, seu corpo inteiro se enrijeceu.

A porta se abriu devagar.

— Tia Lili!

A voz infantil e animada atravessou o quarto como um raio de luz.

Antes que ela pudesse reagir, Kian correu até ela e abraçou suas pernas com força, enterrando o rosto no tecido da roupa dela, como se precisasse ter certeza de que ela ainda estava ali.

— Você tá aqui! — ele disse, sorrindo largo.

Algo dentro de Liana cedeu. Ela se abaixou imediatamente, envolvendo o menino num abraço apertado, sentindo o cheiro dele, o calor, a vida. O aperto no peito diminuiu um pouco.

— Bom dia, pequeno — murmurou, passando a mão pelos cabelos dele.

— Você tá triste — Kian afirmou, sério de repente. — Kian sentiu que a tia tava assustada ontem...

Liana respirou fundo.

Por cima da cabeça do menino, ela viu Dante parado à porta.

Imóvel.

Observando.

Os olhos dele encontraram os dela, mas ela desviou o rosto primeiro.

— Por que você tá triste? — Kian insistiu, puxando o rosto dela para perto do seu.

Liana hesitou, depois respondeu com sinceridade demais para alguém tão pequeno:

— Porque eu quero ir embora… e o seu papi não quer deixar..

Kian se virou lentamente, o olhar doce desapareceu.

— Papi — ele disse, a voz firme demais para sua idade. — A titia tá presa?

Dante fechou o maxilar.

— Kian, isso não é…

— A gente vai dar uma volta — o menino interrompeu, descendo do colo de Liana e segurando a mão dela com força. — Agorinha agorinha.

Então saiu puxando-a, decidido, como se ninguém no mundo pudesse dizer não.

Liana congelou por um segundo, depois olhou para Dante, erguendo as sobrancelhas como quem o desafiava a impedi-la de sair.

E então saiu.

Dante ficou parado apenas um instante antes de reagir.

— Sigam eles — ordenou em voz baixa.

Dois lobos se moveram imediatamente, mantendo distância, atentos.

***

O ar da manhã estava fresco, carregado de cheiro de terra úmida e folhas. Kian caminhava animado, falando sobre coisas aleatórias, apontando árvores, pássaros, pedrinhas no caminho.

Liana sorria por fora, mas, por dentro, o coração batia rápido.

Quando chegaram a uma clareira mais afastada, ela se abaixou e falou com cuidado:

— Kian… vamos brincar de esconde-esconde?

Os olhos dele brilharam.

— Sério?!

— Sério. Vamos correr rapidinho e os seguranças do seu papi que vão procurar.

— Eu sei brincar! — ele riu.

Enquanto ria divertido, completamente alheio as intenções da ruiva, Liana observou ao redor, sentindo a presença dos guardas mesmo sem vê-los. Precisava ser rápida e, principalmente, inteligente.

Tomou coragem por um momento, então se afastou em silêncio, puxando Kian logo depois para trás de árvores, mudando o caminho, forçando uma trilha diferente.

Correu.

Desviou de árvores e raízes, se enfiou entre arbustos.

Os lobos perderam o rastro por segundos preciosos e, quando percebeu que estavam longe o suficiente para que nem a casa ou qualquer sinal dos seguranças fosse visto, o coração quase saltou do peito.

Ela parou bruscamente.

— Kian… você precisa voltar.

— Quê? — ele arregalou os olhos.

— Agora. — Ela se ajoelhou. — Eu preciso ir embora.

O sorriso dele sumiu.

— Não… — ele disse, segurando a roupa dela. — Não vai...

— Eu preciso — Liana respondeu, a voz embargada. — Eu estou com medo, não posso ficar aqui.

— Fica comigo — ele implorou, os olhos marejados. — Por favor… não vai…

Ela o abraçou forte.

— Você é a melhor coisa que aconteceu comigo — sussurrou. — Mas eu não posso ficar.

Kian começou a chorar, alto a plenos pulmões completamente desesperado.

“Tempo o suficiente, coisinha…”, a voz gutural chegou a cabeça de Liana, fazendo-a encarar o lobo com puro terror. “Isso… Tenha medo de mim…”

— Me deixa em paz! — Ela chutou, acertando o focinho, então rolou para o lado, pegou uma pedra e arremessou com toda força que tinha.

Por um instante, um brilho arroxeado percorreu a pedra, rápido demais para ela perceber, mas não imperceptível para o lobo, que não teve tempo de reagir.

A pedra atingiu o olho do lobo com um impacto seco e Anton rosnou alto de dor, sua visão do olho esquerdo ficou quase completamente escura e isso apenas aumentou sua raiva.

E então atacou de vez, decidido a acabar com aquilo.

“Vou te marcar e te arrastar comigo, depois te ensino sobre respeito, garota!”, a voz dele ecoou na mente dela enquanto saltava.

Mas não chegou a tocá-la.

Um corpo negro caiu do céu como um raio, maior do que todos os outros lobos, tão grande quanto Anton, o pelo negro parecia absorver toda luz que o tocava.

A aura de alfa explodiu pela floresta, fazendo o ar vibrar.

Dante, ou melhor, Hades, a forma lupina do alfa, selvagem, cruel brutal.

Os dois lobos colidiram com violência, rolando pelo chão, mordidas, garras, sangue. Dante se colocou sempre entre Anton e Liana, recebendo golpes que não eram para ele. A cena se transformou numa mistura de rosnados uivos pelos e sangue, muito sangue. Anton não tinha medo de atacar, mas tinha consciência que não conseguiria vencer, não assim.

“Não vai tirar tudo de mim de novo, seu maldito!”, rosnou o ruivo, furioso.

“Se afaste! Ela é minha!”, Dante grunhia, a voz gutural de seu lobo alcançando a mente de Anton.

Anton recuou por fim, ferido, rosnando de ódio. Encarou o irmão, deslizando os olhos dele para a humana ainda no chão, apavorada, rosnou mais uma vez e correu, mas não em direção a eles, correu para longe.

Reconhecia a hora de fugir, por isso só dessa vez, desapareceu na mata.

O silêncio caiu pesado.

Hades cambaleou.

E caiu.

O corpo se contraiu, a forma mudou, então ali mesmo o lobo deu lugar ao homem e Dante estava no chão, humano, ensanguentado, inconsciente.

— Não… — Liana correu até ele, desesperada. — Não, não, não… Que porra é essa…?

Estava confusa, as mãos tremiam sentia dor, e não conseguia acreditar no que estava visto, mas não tinha tempo para pensar.

Ela tentou puxá-lo, mas não conseguiu, ele era muito pesado e todo aquele sangue a deixava desesperada.

“Como ele… Ele virou um lobo?”, sua mente estava em frenesi seu corpo inteiro tremia forte demais para controlar. “O que está acontecendo? meu ddeus, no que eu me meti?”

— Socorro! — gritou. — Alguém me ajuda!

O mundo girava.

Ao longe, ela viu Kian correndo em sua direção. Ao lado do menininho, pelo menos cinco seguranças.

E então, dentro de sua mente, uma voz que não era sua sussurrou, rouca, cruel, satisfeita:

“Vou voltar por você. Esteja pronta.”

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