Kian foi o primeiro a alcançá-los, ele surgiu correndo entre as árvores, o rosto sujo de terra, os olhos arregalados de medo, e quando viu Dante estendido no chão, coberto de sangue, soltou um grito desesperado que atravessou a floresta.
— PAPI!
Liana puxou o menino para junto de si antes que ele se jogasse sobre o corpo do pai. Dante estava imóvel, pálido, o sangue escorria lento, escuro, manchando a terra.
— Ele… ele vai acordar — Liana murmurou, mais para si mesma do que para Kian. — Ele vai…
Os seguranças chegaram logo atrás, seus rostos sérios encarando a situação do alfa com uma ponta de pavor, todos sabiam que só uma pessoa podia ter feito aquilo.
Anton.
Um gemido fraco escapou de seus lábios.
A mão dele se fechou de repente, apertando com força a blusa dela, segurando-a como podia, mesmo desacordado, mesmo fraco.
— Não… — ele murmurou, a voz quase inaudível. — Não foge…
O pedido acertou em cheio o coração da ruiva.
Ela congelou.
— Eu… eu tô aqui — respondeu, a voz falhando. — Não vou a lugar nenhum agora. — mas agora, principalmente agora, depois de tudo o que viu, não sabia se poderia cumprir aquela promessa.
No entanto, por algum motivo, queria tentar.
Os homens trocaram olhares tensos, mas não ousaram forçar a mão dele a soltá-la. Com cuidado, ergueram Dante começaram a andar.
O caminho de volta até a alcateia foi silencioso e, quando atravessaram os portões, a notícia já havia se espalhado. Lobos surgiam de todos os lados, alguns em forma humana, outros ainda semi-transformados, todos observando com expressões fechadas, desconfiadas, hostis.
Os olhares recaíam sobre Liana como facas.
— Foi culpa dela…
— A humana trouxe isso…
— Quase perdemos nosso alfa por causa dela…
Liana sentia cada olhar cravar na pele.
Sandra apareceu entre a multidão como um raio, ela correu até Dante assim que o viu sendo carregado, o rosto cheio de pânico.
— Dante! — gritou, agarrando o braço dele. — Minha deusa… o que fizeram com você?!
Olhou para o sangue, para os ferimentos, e então se virou para Liana, os olhos cheios de lágrimas e ódio.
— OLHA O QUE VOCÊ FEZ! — gritou. — OLHA PRA ELE! ELE QUASE MORREU POR SUA CAUSA!
Liana abriu a boca para responder, mas as palavras não saíram. O choque, o medo, o cansaço… tudo parecia pesado demais.
— Se afaste — um dos seguranças disse, puxando Sandra para o lado. — Ele precisa ir para o hospital da alcateia.
Sandra resistiu apenas o suficiente para parecer desesperada.
— Isso não vai ficar assim — ela sibilou para Liana, enquanto era afastada. — Você vai pagar!
Mason chegou correndo pelo caminho de pedra e, quando viu Dante naquele estado, empalideceu.
— Que porra aconteceu aqui?! — exigiu, aproximando-se de Liana com passos duros.
— Foi um lobo ruivo — Liana respondeu, a voz firme apesar do tremor. — Ele me atacou... Dante…
— CALA A BOCA! — Mason rosnou, avançando um passo, pronto para castigar a humana que parecia ser a ausa de todos os problemas que tinham nos últimos dias. — Você não tem o direito de falar o nome dele!
Mas, antes que Mason pudesse dizer mais alguma coisa, Kian se colocou na frente de Liana, os braços abertos, o corpinho pequeno tremendo.
— Não fala assim com ela! — ele gritou. — A titia salvou Kian! O lobo mau queria me pegar!
O silêncio caiu.
Mason encarou o menino por alguns segundos longos.
— Kian… saia da frente — ele disse, tentando controlar a voz.
— Não! — Kian chorou. — Você não vai machucar a titia Liana!
Algo no rosto de Mason endureceu ainda mais.
— Depois que cuidarmos do alfa — ele disse, apontando para Liana —, eu mesmo vou resolver o que fazer com você… E você não vai gostar.
Liana sentiu o sangue ferver.
— Eu também não gostei de quase morrer — retrucou, a voz afiada apesar do medo. — Nem de ver ele quase morrer tentando salvar a mim e ao filho dele!
Mason cerrou os dentes, claramente lutando contra o impulso de fazer algo ali mesmo.
— Leva o menino — ordenou a um dos seguranças da alcateia. — E tire essa humana da minha frente antes que…
— Eu vou com ela! — Kian gritou.
Sem esperar resposta, ele agarrou a mão de Liana e começou a puxá-la, arrastando-a pelos corredores da mansão.
— Vem — ele disse, chorando. — Fica comigo, titia.
***

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