— Você não vai a lugar nenhum.
A frase saiu da boca de Dante como uma sentença final, pesada, irrefutável. Ele estava parado no meio do quarto, bloqueando qualquer tentativa de fuga, os braços cruzados, os olhos ainda avermelhados pelo resquício da fúria recente.
Liana riu.
Mas não foi um riso de humor.
Foi um riso nervoso, quase histérico, cheio de incredulidade e pavor.
— Você é realmente maluco! — disse, a voz tremendo. — Eu quase morri! Fui atacada, jogada num rio, deixada pra morrer! E você acha que pode simplesmente me manter aqui como se nada tivesse acontecido? Quem você pensa que é?
Dante avançou um passo.
O ar ficou pesado.
— Eu não vou deixar você sair — ele repetiu, mais baixo. — Não enquanto eu não tiver certeza de que…
— Certeza do quê?! — ela gritou, interrompendo-o. — De que eu não vou morrer de novo?! Porque foi isso que aconteceu aqui! Na porra da SUA casa! Que tipo de gente maluca são vocês? O que eram aquelas merdas na floresta? Isso só pode ser um pesadelo!
Ela apontou ao redor, a mão tremendo.
— Eu não sei quem vocês são! Não sei o que me atacou! Não sei o que tentou me matar! E você acha que eu vou confiar em você?!
Dante cerrou o maxilar.
O lobo dentro dele rosnava, inquieto, pressionando, exigindo controle. A cada palavra dela, a cada grito, algo primitivo reagia com força demais.
“Não podemos deixá-la ir…”, Hades rugia como uma fera enjaulada. “Ela nos pertence! A humana é nossa!”
— Acho melhor você falar comigo direito entendeu? — o tom dele era duro.
Podia contar nos dedos das m~]aos quantas vezes fora desrespeitado naquele dia e aquilo já era demais, ele era um alfa, os seus atacaram sua companheira e agora a mulher que deveria ser submissa a ele e aceitar o vinculo que tinham acha que podia berrar com ele sem controle.
“Você merece…”, Hades resmungou. “A deusa está nos castigando por sua causa, por causa do que fez!”
— Não! — Liana gritou. — Eu vou gritar se eu quiser! Vou chamar a polícia! Vou chamar qualquer um! Você não pode me manter presa aqui!
Ela deu um passo à frente, os olhos brilhando de raiva e medo.
— Vou dar um jeito de fugir, nem que eu tenha que sair correndo no meio da noite de novo. Aqui eu não fico mais!
Aquilo foi o estopim.
Dante se aproximou rápido demais, a presença esmagadora, o cheiro intenso, a aura dominante pressionando cada centímetro do espaço entre eles.
— Daqui você não sai, eu já disse porra! Não pode ficar calada e aceitar? — ele rosnou.
— Você não manda em mim! — ela respondeu, sem recuar.
O olhar dele escureceu.
— Aqui dentro… — ele disse, a voz descendo para um tom perigoso — eu mando em tudo e em todo mundo. Toda essa merda de lugar me pertence cada pedra dessa porcaria de cidade é minha e tudo o que está dentro dela também é isso inclui você.
Os olhos verdes dela se fixaram nos dele, o azul frio levemente avermelhado. Dante percebeu as sobrancelhas dela se unirem, o maxilar travar e ele achou que ela finalmente entenderia, mesmo contrariada, mas Liana não estava nem de longe prestes a se render. A ruiva levantou a mão, desceu com toda força em direção a ele...
E deu um tapa.
O estalo ecoou pelo quarto.
Silêncio.
O rosto de Dante virou levemente com o impacto, a marca vermelha surgindo em sua bochecha. Por um segundo, apenas um, o mundo pareceu parar.
O lobo dentro dele ficou completamente possesso.
A necessidade veio como um raio brutal: calar a boca dela, tomá-la, esmagar aquela resistência sob o peso do corpo dele, fazê-la sentir, fodê-la até que ela implorasse por ele e nunca mais tivesse aquela ousadia..
O impulso foi violento.
Primário.
Quase incontrolável.
Mas Dante não era apenas um lobo.
Ele era um alfa.
E com um esforço que fez seus músculos tremerem, ele se conteve.
Num movimento rápido, segurou Liana pelos braços e a prensou contra a parede, o corpo grande bloqueando qualquer escape. As mãos dele eram fortes demais, quentes demais, e o coração de Liana disparou quando sentiu o peso da presença dele tão perto.
— Nunca mais — ele rosnou, o rosto a centímetros do dela — encoste em mim desse jeito.
— Me solta! — ela gritou, tentando se debater. — Me larga agora mesmo! Você não tem esse direito!
— Se continuar me provocando assim, não vai gostar do resultado — ele disse, a respiração pesada, irregular. — Vai aprender a me obedecer!
Ela sentiu o perigo naquela frase, mas não cedeu.



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A babá sequestrada pelo alfa