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A babá sequestrada pelo alfa romance Capítulo 47

Liana suspirou.

Não foi um suspiro de alívio, foi de cansaço.

Ela se afastou um pouco de Dante, o suficiente para quebrar o contato direto dos corpos, mas não o bastante para fugir dele de verdade. Ainda sentia o calor dele, a presença pesada, o cheiro que a prendia naquele espaço entre ir embora e ficar.

— Se você não está pronto pra contar… — começou, a voz mais baixa agora, menos acusatória — tudo bem.

Dante ergueu o olhar devagar.

Os olhos ainda carregavam sombras do passado que ele acabara de reviver. Sombras que não desapareciam só porque a música continuava tocando ou porque o restaurante estava bonito demais para comportar tanta coisa feia.

— Mas eu sei — Liana continuou. — Sei que você tá escondendo algo de mim.

Ela deu mais um passo para trás, apoiando a mão na mesa.

— E não é só sobre o seu irmão. É… maior.

O silêncio caiu entre eles como um peso.

Dante desviou o olhar primeiro, aquilo, por si só, já era uma resposta.

Ele passou a mão pelo rosto, respirando fundo, e então voltou para a mesa, puxando a cadeira e se sentando novamente. O jantar estava praticamente intocado, velas ainda acesas. Tudo perfeitamente arrumado para uma noite que claramente não saira como ele havia planejado.

— Eu só queria… — começou, mas parou.

Engoliu em seco.

— Eu só queria que você esquecesse o Anton.

Liana franziu a testa levemente.

— Esquecesse?

— Sim — ele respondeu, direto. — Que ele desaparecesse das nossas vidas, da sua cabeça, do nosso caminho.

A forma como ele disse nosso fez algo se mexer dentro dela.

— Por quê? — perguntou.

Dante apoiou os cotovelos na mesa, entrelaçando as mãos.

— Porque tudo o que ele toca apodrece — respondeu, sem rodeios. — Porque ele destrói tudo o que ama e tudo o que odeia. Porque ele não sabe perder e porque… Porque eu não vou dividir você com ele Liana, não vou.

Liana o observou por alguns segundos.

Depois, contornou a mesa devagar e parou diante dele.

— Eu não sei explicar — disse, sincera. — Mas eu não consigo.

Dante ergueu o olhar.

— Não consegue o quê?

Ela hesitou por um segundo, então estendeu a mão e tocou a dele.

O gesto foi simples, carinhoso, intimo demais.

— Assim como eu não consigo esquecer você… — disse, os dedos se fechando levemente em torno da mão dele — eu também não consigo esquecer o Anton.

As palavras ficaram suspensas no ar.

O efeito foi imediato, o corpo de Dante ficou rígido. Um rosnado baixo vibrou no fundo do peito dele antes mesmo que percebesse. Os olhos escureceram, o azul quase engolido por algo mais antigo, mais feroz.

— Não diz isso — ele murmurou, a voz carregada.

— Eu não tô dizendo porque quero — Liana respondeu rápido. — Tô dizendo porque é verdade.

O lobo dentro dele se agitou.

“Ela está ligada a ele.”

“Ela sente.”

“Ela é nossa.”

“Mas não só nossa.”

A ideia fez a raiva subir como fogo.

Dante puxou a mão dela de volta para a mesa, os dedos apertando um pouco mais do que o necessário.

— Você sente alguma coisa por ele? — perguntou, baixo, perigoso.

Liana engoliu em seco.

— Não sei direito…

— Como assim? — insistiu.

Ela respirou fundo.

— É como se… — fechou os olhos por um instante, tentando encontrar palavras — mesmo sem querer… Eu quisesse saber se ele está bem… Mesmo sem querer eu as vezes o quero por perto…

O silêncio que se seguiu foi pesado.

Dante soltou a mão dela devagar e se levantou.

Deu dois passos, depois mais um, passando a mão pelos cabelos como quem tenta conter algo prestes a explodir.

— Isso não deveria ser possível — murmurou.

— O quê?

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