O silêncio no fim do restaurante parecia, era um silêncio pesado, constrangedor, cheio de coisas que não deveriam ter acontecido… mas aconteceram mesmo assim. Liana vinha atrás de Dante, tentando andar com normalidade, como se não tivesse acabado de ser comida em cima de uma mesa cara, num lugar fino, enquanto o alfa não se importava com ninguém além dela. A vergonha queimava no rosto, no peito, na alma, e cada passo que dava lembrava ela do detalhe que ainda a deixava mais revoltada: estava sem calcinha, porque o desgraçado tinha rasgado como se fosse papel e ainda teve a ousadia de sorrir como se estivesse fazendo um favor.
Ela segurava a camisa dele apertada contra o próprio corpo, tentando se cobrir sem parecer ridícula. O vestido vermelho ainda estava nela, mas não estava mais perfeito como antes. Uma das alças tinha arrebentado, o decote estava mais aberto do que deveria, e o tecido agora parecia marcar coisas demais… principalmente a marca do que tinha acontecido ali. O cheiro de Dante estava grudado nela, na pele, no pescoço, entre as pernas, e isso deixava tudo pior, ou melhor, porque o corpo dela se arrepiava só de lembrar. Liana queria estar com raiva, queria odiar, queria se sentir humilhada… mas no fundo, bem no fundo, havia uma satisfação vergonhosa latejando dentro dela.
Dante saiu primeiro, como sempre. Grande demais, seguro demais, como se fosse dono do lugar inteiro, e talvez fosse mesmo. Ele estendeu a mão pra ela sem falar nada, e Liana segurou, mesmo que parte dela quisesse fingir que não precisava dele. Só que precisava. Ainda estava tonta, ainda sentia as pernas tremendo, ainda sentia o corpo sensível demais e quente demais, como se o orgasmo tivesse sido há segundos e não minutos. Quando o segurança abriu a porta e eles pisaram do lado de fora, o ar frio da noite bateu no rosto dela e ela quase soltou um gemido de alívio.
— Você tá com vergonha — Dante disse, do nada, a voz baixa e cheia daquele deboche calmo que deixava ela com vontade de dar um tapa nele.
Liana olhou pra ele incrédula, apertando a camisa contra o peito com mais força, como se pudesse esconder o desastre com tecido.
— Ah, sério? Jura que você percebeu? — ela respondeu, venenosa. — Eu tô saindo de um restaurante chique com o vestido arrebentado, sem calcinha, com a sua camisa em cima e com a cara de quem acabou de fazer uma pouca vergonha em público… mas não, imagina, eu tô SUPER tranquila.
Dante apenas deu um sorrisinho de canto, aquele sorriso irritantemente satisfeito, e passou a mão pelo braço dela como se fosse carinho… mas o toque era posse. Era o lobo dele dizendo em silêncio que ela era dele e ponto final.
— Eu gostei da sua vergonha — ele murmurou, perto demais do ouvido dela. — Você fica linda quando tenta fingir que ainda tem orgulho.
Liana abriu a boca pra xingar, pronta pra despejar tudo o que pensava, mas do nada algo pareceu muito errado. O ar ficou mais pesado, como se o ambiente tivesse mudado antes dela entender por quê. Dante também sentiu, ela percebeu no jeito como os ombros dele ficaram rígidos e no olhar rápido que ele lançou ao redor, avaliando o espaço como um predador que percebeu uma ameaça.
E então ela viu.
Um carro parado perto demais da saída, comum demais pra aquele lugar. Mas o problema não era o carro… era quem estava saindo dele.
Justin abriu a porta como uma tempestade, batendo com força, e veio andando na direção deles com passos duros, rápidos, a expressão distorcida de raiva e humilhação. O rosto dele estava vermelho, os olhos injetados, e Liana sentiu o sangue gelar, não de medo… mas de nojo.
— Liana! — ele gritou, a voz cortando o estacionamento. — EU SABIA! Eu sabia que você tava fazendo isso!

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