Acordei com um canto de pássaros, o cheiro de flores no ar e o calor aconchegante dos lençóis quase me deram vontade de não abrir os olhos.
Mas eu precisa saber o que tinha acontecido comigo, onde eu estava e quem diabos era aquele homem de preto no meu quarto.
Abri meus olhos e quase fiquei cega com a claridade. Pisquei várias vezes até que meus olhos conseguissem ficar abertos sem doer e encarei as paredes confusas. Ao invés de estar cercada pelas habituais paredes verde-claro do quarto que eu tanto amava, eu estava encarando paredes rosa bebê coberta por flores.
Eu já tinha visto esse quarto antes, só não conseguia me lembrar onde. Quem morava ali? E o mais importante, porque eu estava ali?
Ergui meu tronco da cama e o quarto todo girou, me fazendo cair contra os travesseiros macios novamente. Que merda estava acontecendo comigo?
— Ei, vamos com calma. Você passou por maus bocados nos últimos dias. — uma mulher loira entrou no quarto já falando.
Sua voz era quase um cantarolar dos pássaros e o seu rosto tão doce e amigável, que até a repreensão pareceu uma coisa boa.
Os olhos escuros como a noite me encaravam com genuíno interesse e ela me abriu um sorriso branco e largo, com direito até a covinha.
— Quem é você? E onde estou?
Aquele cheiro no ar, parecia o parque quando estávamos na primavera e todas as flores desabrochavam juntas, inundando toda a cidade com um perfume único.
— Eu me chamo Flora. Sou amiga da Agnes, estou aqui cuidando de você.
— Cuidando de mim? O que aconteceu? Onde está Agnes?
Não esperei por uma resposta, eu me ergui da cama mesmo tonta. Apoiei minha mão na cama e obriguei meus pés a funcionar.
Mesmo me sentindo fraca eu andei até o parapeito da janela e olhei pelo vidro, em busca de qualquer memória, qualquer coisa que me ajudasse a lembrar onde eu estava.
O jardim parecia não ter fim, eu não conseguia identificar nada que me recordasse algo assim.
— O que aconteceu aqui? — a voz familiar de Alice me encheu de alívio. — Quem disse que você pode sair da cama mocinha?
— Alice! Graças a Deus. — suspirei aliviada quando ela chegou mais perto e me amparou em seus braços. — Onde estamos e porque me sinto como se tivesse sido atropelada várias vezes?
Minha amiga me encarou por longos segundos, seu silêncio começou a pesar uma tonelada, até que ela me puxou de volta para a cama.
Com cuidado Alice me ajudou a sentar e depois ocupou o lugar ao meu lado.
— Estamos na casa da minha vó. Lembra que vínhamos pra cá quando éramos pequenas?
Então era isso, fazia anos que eu não visitava a vovó Blanca, como me acostumei a chamá-la. Esse era o motivo do lugar parecer tão familiar e ao mesmo tempo ser tão difícil de lembrar com exatidão.
Desde que minha mãe e Will ficaram juntos eu não a visitava. Mamãe sempre disse o quanto vovó Blanca era importante, ela até mesmo ajudou no meu parto.
Mas por algum motivo ela se afastou de todos depois que Will chegou.
Isso me fez lembrar, Will...
— Onde está Will? — questionei é assisti minha amiga olhar em volta, como se fosse achar a resposta em algum lugar ali. — Tinha alguém no meu quarto quando desmaiei, chamei por ele e o ouvi dizer que tudo ficaria bem, mas então eu apaguei.
Alice respirou fundo e se virou para Flora, as duas trocaram um olhar esquisito e mesmo sem dizer nada, a outra pareceu entender o recado.
— Vou chamar a Agnes. Tudo vai ficar bem, menina. — Flora disse com a voz que parecia ser capaz de apaziguar uma guerra.
Mas foi só ela deixar o quarto para que eu me preocupasse com outras coisas.
O que elas estavam escondendo de mim? O que poderia ter acontecido com Will?
— Desde quanto você pisa em ovos para falar alguma coisa?
— Fica calma, minha mãe vai poder te explicar melhor o que aconteceu, mas o cretino está bem.
— Alice! — a repreendi imediatamente e ela revirou os olhos.
Ela estava prestes a protestar quando Agnes entrou no quarto, calando nós duas.
— Ai querida é tão bom te ver acordada! Ficamos muito preocupadas com você.


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