Enquanto preparava os pratos em silêncio, ouvi um estrondo vindo lá de fora; alguém estava furioso. Sentia-me aliviada por estar aqui dentro, longe de toda aquela confusão. Puxei o capuz para cobrir meu olho machucado, mas não consegui esconder o lábio cortado, então o morderia quando fosse necessário.
Ao me aproximar do balcão, perguntei ao primeiro homem o que ele desejava. Evitei contato visual e mantive a cabeça baixa ao anotar todos os pedidos. Aqueles homens pareciam bastante carrancudos e irritados. Foi quando Jackson se aproximou de mim.
“Alfa, quer dizer, Richard, ali, gostaria de um milkshake de baunilha com alguns biscoitos.” Acenei e anotei o pedido, servindo a todos, exceto a Richard.
Ao erguer uma grande travessa de biscoitos e molhos, senti um estremecimento devido ao peso em uma das mãos; minha costela quebrada estava sob tensão. Percebi que Richard estava me encarando.
Parei por um momento, respirei fundo e segurei o fôlego, me preparando para a dor. Levantei a bandeja novamente e a coloquei na mesa onde a maioria dos homens estava acomodada. Na cozinha, respirei fundo enquanto mantinha a mão pressionada contra as costelas. Droga! O pedido do Richard. Caminhei rapidamente até ele para servir o seu pedido. Ele olhou diretamente para mim, estreitou os olhos, e não pude deixar de me perguntar se por acaso havia alguém atrás de mim.
Todos os outros estavam discutindo entre si sobre um homem chamado Zoe, e uma cidade chamada Sherkerm, e algo relacionado a renegados, o que era estranho porque Jackson se referiu a mim como uma antes. Um mapa estava estendido sobre a mesa diante de Richard; os homens desenhavam círculos e linhas onduladas em várias partes dele e conversavam sobre a instalação de postes aqui e ali.
De repente, fiquei extremamente nervosa, pois o restaurante ficou em silêncio e todos os olhares estavam direcionados para mim. Eu podia senti-los sobre mim. Com a sensação de estar sendo encurralada, coloquei o milk-shake e o prato de biscoitos na mesa ao lado do mapa.
“Milk-shake e biscoitos, senhor”, disse baixinho.
“Espere”, disse Richard, antes que eu tivesse tempo de sair de perto da mesa. “O que tem de errado com suas costelas?” Ele perguntou.
“Nada, senhor”, respondi, me perguntando como ele sabia que eu estava com dor.
“Você mal estava conseguindo carregar a bandeja, a dor que você está sentindo é evidente”, em seguida ele perguntou, “Por que você tem um cheiro tão intenso de baunilha e biscoitos?”
“Pode ser o leite de baunilha e os biscoitos”, disse, dei as costas e me direcionei à cozinha.
“Retire seu capuz, renegada!” Ele exigiu. Congelei onde estava e olhei para Jackson em busca de ajuda.
“Ayla, vá fazer uma pausa, querida. Richard, eu disse para deixá-la fora disso.” Corri para a cozinha e saí pela porta dos fundos.
“Ela deveria cheirar como uma renegada se ela é uma. Ela cheira a baunilha e biscoitos”, declarou Alfa Richard.
“Ela, literalmente, acabou de servir um milkshake com biscoitos”, explicou Jackson. Alfa Richard soltou um rosnado e o encarou.
“Pude sentir o odor dela antes mesmo que ela me servisse. Meu lobo está incrivelmente inquieto agora. Estou lutando para mantê-lo sob controle”, explicou Richard, apoiando a mão no peito.
Todos na lanchonete pararam abruptamente, lançando olhares uns aos outros e, em seguida, na direção do Alfa Richard.
“O quê?” Alfa Richard exclamou, e seu lobo Beta, Sanchez, se pôs de pé.
“Alfa, você não está de fato considerando que ela seja sua companheira, certo?” Sanchez questionou, e Alfa Richard riu em resposta.
“Eu jamais acasalaria com uma renegada. Sou um Alfa, seria impensável. A Deusa da Lua unindo um Alfa a uma criminosa? Não seja absurdo”, declarou Alfa Richard.
Minha respiração finalmente desacelerou. Meu relógio marcava 20h45. Em quinze minutos, eu poderia ir para casa. Torcia para que meu pai estivesse dormindo por conta da bebida. Entrei e lavei todas as xícaras, canecas e pratos. Os homens deixaram o restaurante, e um suspiro de alívio escapou de mim quando ouvi todas as portas de seus carros sendo fechadas. Meu corpo relaxou ao perceber que eles haviam partido. Pensando que Jackson estava atrás de mim, me virei prestes a informá-lo de que estava indo para casa também, mas não era ele quem estava atrás de mim. Era o Alfa Richard.
Evitei olhar diretamente para ele. Tinha consciência de que meu capuz poderia cair a qualquer momento, expondo os maus-tratos que eu sofria diariamente. Sua respiração estava muito audível.
“Desculpe, senhor. Meu turno já acabou. Se precisar de algo mais, por favor, fale com o Jackson,” falei gentilmente. De repente, o braço dele bloqueou o espaço entre mim e a saída, pressionando a palma da mão contra a parede. Pulei para trás com medo.
“Remova o capuz”, ele exigiu. Balancei minha cabeça, negando.
“Não! Jackson! Jackson!” gritei, enquanto tentava recuar. De repente, estava sendo pressionada contra a parede, sem ter para onde ir. Fiquei presa entre o corpo dele e a alvenaria em um movimento rápido. Ele se inclinou sobre mim antes de colocar as duas mãos em cada lado do meu rosto.
“Jackson está ocupado se despedindo dos membros de sua matilha lá fora. Ele acha que eu já fui embora,” sussurrou Richard, enrolando meus longos cabelos castanhos entre os dedos. Ele inalou meu cheiro.
“Seu cheiro é tão bom, até mesmo meu lobo está se esforçando para manter a calma”, ele confessou.
“Você… você, tem um lobo de estimação?” Estava chorando e com medo. Richard riu da minha pergunta.
“Você está com medo de mim, Ayla?” Ele perguntou e eu assenti, concordando.
“Bem, se você é o que meus sentidos estão me dizendo que você é, e também uma renegada, então você realmente deveria estar com medo. Não sei se poderia ter alguém assim como minha companheira, e minha matilha, pode não querer alguém assim como Luna,” ele explicou.
“Olha aqui. Não sei que tipo de joguinho é esse, mas não quero mais participar. Só quero voltar para casa, e nenhum de vocês precisa se preocupar em me ver de novo,” disse, com lágrimas ainda escorrendo pelo meu rosto.
“Ayla, peço desculpas pelo comportamento de Richard. Por favor, não precisa deixar o seu emprego na lanchonete. Você sabe que está mais segura aqui do que em casa,” explicou Jackson.
“O que você quer dizer com isso?” Richard perguntou.
“Não é da sua conta”, retruquei. Richard ficou surpreso e cruzou os braços.
“Jackson, eu me sentia mais segura aqui, mas o Richard tem algum tipo de intenção comigo. Não faço ideia do que seja. Agradeço por ser tão gentil comigo e me permitir trabalhar aqui todo esse tempo, mas não posso continuar mais.” Solucei, deixando um beijo de despedida em sua bochecha, seus olhos estavam úmidos. Richard soltou um grunhido. Caminhei até o banco onde minha bolsa estava e a coloquei sobre o ombro.
“Você! Lamento por quem quer que esteja procurando e chame de sua companheira! Estar com você seria uma desgraça!” — Minhas palavras o magoaram profundamente, tanto que ele sequer conseguia me encarar.
Antes que eu pudesse sair dali batendo os pés, Richard segurou meu pulso abruptamente. Com um movimento rápido, ele arrancou o capuz da minha cabeça e, com o intenso contato visual que estabelecemos, senti uma onda magnética de endorfina e dopamina percorrer meu corpo. Meu estômago se contraiu com a sensação instantânea de borboletas na barriga. De repente, fui transportada para outro mundo; não havia mais nada ao meu redor, éramos apenas ele e eu.
Eu estava tão confusa. Não sabia o que estava acontecendo naquele exato momento. Eu me sentia estranha. Há apenas dois minutos, eu o achava ameaçador, e agora estava desejando-o intensamente. Estava hipnotizada pelos olhos dele, quase como se estivesse em transe. Richard continuava a olhar profundamente nos meus olhos verdes, antes que os dele mudassem brevemente de cor.
“Você é a minha companheira,” ele sussurrou, aproximando-se de mim. Involuntariamente, eu saí do transe magnético e lascivo.
“Pare exatamente aí. Nem pense em me tocar,” gritei. Jackson ficou imóvel, com uma expressão chocada no rosto.
“Alfa, você tem certeza de que Ayla é sua companheira?” Jackson perguntou, incrédulo.
“Ela é uma renegada. Isso não está acontecendo. Dr*ga…” Richard murmurou para si, passando a mão pelo cabelo, visivelmente estressado.
“Você está certo. Independente do que você pense que está acontecendo, não vai rolar. Podemos concordar nisso,” eu gritei. Richard olhou para mim.
“Quem fez isso no seu rosto?” Ele perguntou calmamente.
“Cuida da sua vida!” exclamei, saindo apressadamente da cozinha, atravessando a lanchonete e correndo para fora.

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