Era mais ou menos uma hora da madrugada quando chegamos a Pinheiro. Acordei nos braços de Richard, estava escuro e silencioso.
“Richard, eu tenho pernas, sabia?”
“Eu sei, mas quero carregar você,” ele disse dando um sorrisinho maroto.
“Me põe no chão, Richard.” Ele gentilmente me desceu.
Estávamos na entrada de uma mansão, ela tinha três andares, e em frente à porta principal, uma ampla escadaria branca levava ao segundo andar. As varandas do segundo e terceiro andares eram de cair o queixo, e eu estava verdadeiramente encantada com as portas e janelas francesas brancas. A casa estava cercada por sebes verdes bem cuidadas, e as flores decoravam delicadamente o jardim. Uma imponente fonte de água esculpida na forma de dois lobos era o destaque real do espaço ao ar livre.
“Este é o local onde vivemos, esta é a casa da matilha,” Richard falou com orgulho.
“É uma casa muito grande para apenas duas pessoas,” eu disse.
“Ah, na verdade, muitos de nós moramos aqui.” Richard coçou a nuca, parecendo nervoso.
“Você nunca disse que eu moraria em uma casa com um bando de lobisomens…”
“É comum que o Alfa e a Luna morem com o beta, gama, ômega, e com o cozinheiro. Além disso, frequentemente recebemos visitantes de outras matilhas,” explicou ele.
“Como posso me sentir à vontade morando no mesmo lugar com um bando de lobisomens que mal conheço?” perguntei, cruzando os braços.
Ele disse: “Ayla, ninguém vai te fazer mal aqui. Na verdade, sua presença em Pinheiro trará muita empolgação a todos. Entendo que é uma grande mudança para você, mas por favor, dê uma chance, e se após alguns dias ainda se sentir desconfortável, poderemos conversar sobre isso.”
Dei um longo suspiro e concordei: “Ok, tudo bem.” Richard abriu a porta da frente, e Sanchez estava logo atrás de nós.
“Bem, vou mergulhar na cama com a minha companheira agora. Estou ansioso para que você a conheça depois que acordar, Luna,” ele sorriu.
“Prefiro que me chame de Ayla, por enquanto”, murmurei. Sanchez e Richard trocaram pensamentos por cima do meu ombro antes de ele se retirar e ir para seu quarto.
“Vamos. Nosso quarto fica no último andar.” Richard disse, enquanto eu o seguia escada acima.
“Espera aí. Nosso quarto? Não posso ter meu próprio por enquanto?” Richard fez uma pausa, e depois de um momento de reflexão, acenou com a cabeça.
“Seu quarto, por enquanto, ficará ao lado do meu.”
“Ok.” Assenti.
Seguimos para o último andar. Aquele lugar era enorme; havia tantos quartos e corredores.
“Aqui é o meu quarto,” disse Richard, abrindo uma porta extremamente alta. Era um quarto espaçoso com uma cama king-size e amplos closets dos dois lados. As janelas eram as maiores que já tinha visto em uma casa. Estava ansiosa para ver como era a vista durante o dia.
Richard fez um gesto para que eu o seguisse até o quarto ao lado do dele.
“E este é o seu quarto. Você tem um grande closet, banheiro, uma cama king-size, uma varanda e, aqui no canto, um sofá confortável e aconchegante,” ele disse, apontando. O quarto era lindo; apenas um pouco menor do que o dele.
“Sinta-se em casa. Quando acordar, encontrará toalhas limpas no banheiro e vou pedir a Sanchez para verificar se a companheira dele, Miranda, tem algo que você possa vestir. Quando estiver pronta para o café da manhã, espere por mim para descermos juntos. Depois, levarei você para fazer compras e você poderá conhecer alguns moradores locais.” Richard sorriu.
“Certo, obrigada.” Disse, agradecida.
“Antes de eu ir. Você passou por muita coisa esta noite. Você ficará bem sozinha? Entendo que ainda não se sente confortável em compartilhar a cama, mas posso dormir no sofá aqui, se você quiser…” ele ofereceu. Parei para pensar na proposta por um momento.
“Acho que vou ficar bem, Richard.” Ele acenou com a cabeça e saiu, fechando a porta atrás de si. Soltei um bocejo e caminhei até a cama; era tão chique e bonita, parecia ser bem cara. Olhei para o sofá por um momento, me enrolei nele e adormeci em poucos minutos.
Olhei para o relógio na parede. Já passava das sete da manhã. Me sentei e esfreguei os olhos, relembrando tudo o que aconteceu na noite anterior. O jantar. Meu pai. Nada daquilo foi um sonho.
Abri a porta do banheiro; era tão glamoroso quanto o quarto. A pia era feita de mármore e o piso de granito, as torneiras douradas; tudo em grande elegância. Preparei o banho e, no armário, encontrei muitos sabonetes, banhos de espuma e loções. Aquilo era o sonho de qualquer garota. Peguei um dos banhos de espuma e o despejei na água, coloquei um sabonete líquido e um xampu na beira da banheira. Tirei meu moletom e jeans sujos; estava prestes a remover meu sutiã quando ouvi uma batida na porta.
“Quem é?”, perguntei.
“Olá, Luna. Sou eu, Miranda! O Alfa Richard disse que você precisa de algo para vestir. Trouxe um dos meus vestidos para você; vai fazer muito calor hoje,” ela disse, em um tom alto e entusiasmado.
“Certo. Só um minuto, vou destrancar a porta.” Abri e me deparei com uma jovem de feições muito delicadas: olhos azuis, cabelos castanhos na altura dos ombros, mais ou menos da minha estatura e aparentando ser apenas um pouco mais velha do que eu. Chutei que não tivesse mais de dezenove anos. Seu rosto se iluminava com um amplo sorriso antes de se transformar em uma expressão de horror.
“Luna! O que aconteceu? Você está cheia de hematomas!” Ela exclamou, largando o vestido e cobrindo a boca com as mãos em estado de choque. Olhei para todos os hematomas e inchaços, vestindo apenas minha calcinha preta e sutiã. Constrangida, me abracei tentando cobrir meus ferimentos e desviei o olhar.
“Miranda, apenas deixe o vestido aí e vá, por favor,” falei.
“Mas, Luna!” Ela disse, antes de eu fechar a porta e me encostar nela para que ninguém conseguisse entrar. Comecei a chorar. “Apenas deixe o vestido aí e vá embora, Miranda!” pedi, tentando evitar que ela me ouvisse chorar.
“Ayla, você já conhece Sanchez e Miranda. Este é o Gama Harry e sua companheira Helena.”
“É um prazer finalmente conhecê-la,” disse Helena.
“Luna,” disse Harry, curvando-se cordialmente.
“É um prazer conhecê-los. A Carolina é sempre tão mal-humorada?” perguntei, e todos riram.
“Na verdade, sim. Ela pode ser um pouco explosiva às vezes, mas você pode simplesmente ignorá-la.” Helena sorriu.
“Ah, certo.” Respondi.
Carolina voltou carregando uma pilha de panquecas, ela lançou um olhar para Richard, enquanto as colocava sobre a mesa. Richard a seguiu até a cozinha.
“Com licença, Ayla, preciso pegar um pouco de água.” Momentos depois, escutamos os dois discutindo.
“Está tudo bem?”, perguntei. Por um momento, todos na mesa pareceram trocar mensagens através de olhares expressivos.
“Tenho certeza de que está tudo bem, Luna,” disse Helena, lançando-me um sorriso tranquilizador.
“Então, você fará dezoito anos em breve?” Miranda perguntou.
“Sim, daqui a nove dias”, sorri.
“Que ótimo! Você deve estar super ansiosa para conhecer sua loba, né?”
Richard mencionou algo sobre minha loba despertar quando eu completasse dezoito anos e que eu assumiria a forma dela. Não queria me transformar. Não queria conhecer minha loba. E se eu machucasse ou matasse alguém novamente? Não podia arriscar repetir o que aconteceu com minha mãe.
Meu peito de repente ficou pesado e comecei a hiperventilar.
“Luna, está tudo bem?” Perguntaram Miranda e Helena. Com os olhos lacrimejando, eu me levantei.
“Sinto muito. Eu não posso fazer isso! Meu lugar não é aqui!” Saí correndo da sala de jantar e segui pelo corredor até chegar à porta da frente. Disparei em direção à rua e continuei correndo, sem a menor ideia de para onde estava indo.

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