Ouvi os passos de Richard esmagando as pedrinhas logo atrás de mim, perseguindo-me. Corri mais rápido, mas ele acompanhou meu ritmo sem esforço. Eventualmente, quando fiquei sem fôlego e minhas costelas quebradas não suportaram mais, não tive escolha senão parar e encará-lo.
“Por que você está me perseguindo?” Exigi saber.
“Gostemos ou não, você é a minha companheira. É meu dever seguir você. É da minha conta descobrir quem fez isso em seu rosto,” disse ele com firmeza, mas em um tom calmo.
“Você não pareceu se importar comigo quando quase acertou minha cabeça, dando um murro na parede!” gritei.
“Ayla, por favor, me perdoe. Eu nunca teria agido daquela maneira se soubesse o que você estava passando. Se eu tivesse entendido que você realmente não tinha noção de que não é humana, com certeza teria agido de forma mais civilizada.” Ele olhou para o chão com um sentimento de culpa.
“Agora você perdeu a sanidade de vez! Não ser humana? O que você quer dizer com isso?”
“Qual é a sua idade?” Seu tom mudou novamente.
“Vou fazer dezoito anos daqui a duas semanas,” falei, evitando seu olhar.
“Você não encontrará sua loba até lá. Tenho o meu há quatro anos. Gostaria de mostrar exatamente o que quero dizer, se você me permitir,” disse ele, de forma educada.
Minha respiração ficou pesada. Estava tentando manter a calma e evitar me sentir mais chateada do que já estava.
“Você está bem?” Ele parecia genuinamente preocupado com o meu bem-estar.
“Não quero ganhar uma loba de aniversário, e definitivamente não quero conhecer o seu, nem qualquer outro lobo!” Tentei me afastar, mas a dor era intensa demais.
“Você já encontrou um lobisomem antes?” Ele questionou, surpreso.
“Um lobisomem? Você fugiu de um hospício? Lobisomens não existem. Estou falando de lobos selvagens. Quando eu era criança, minha mãe e eu vimos um na floresta, e algo terrível aconteceu. Desde então, tenho medo deles. Não consigo chegar nem perto de cães de estimação, quanto mais de lobos. E se você tem um de estimação, então somos completamente incompatíveis.” Tentei passar por ele novamente, sem sucesso.
“O que aconteceu com o lobo?” Ele perguntou curioso.
“Você não é muito bom em cuidar da sua própria vida, né?” Retruquei.
“Não quando se trata da minha companheira”, ele respondeu rapidamente.
“Você acabou de dizer que sou uma renegada e que não me teria como companheira. Então, por que você continua me chamando assim se nem me quer de verdade?”
Richard se aproximou de mim, e o contato visual com ele foi inevitável.
“Você é tão linda debaixo de todos esses hematomas. Tudo o que desejo é pegar você nos meus braços e levá-la para casa,” disse ele em um tom sincero e afetivo. “Quero que você faça parte da minha matilha e, assim, não será mais uma renegada. Poderemos ficar juntos.” Seu tom de voz tornou-se mais grave novamente; se ele continuasse falando daquele jeito, eu iria derreter ali mesmo na trilha. Ele estendeu lentamente a mão para pegar a minha.
Eu me afastei dele.
“Não,” eu disse.
“Não?” Ele disse surpreso.
“Você está me pedindo para ser sua namorada quando mal nos conhecemos. Além disso, você foi totalmente babaca comigo antes. Você claramente só quer ficar comigo por pena. E agora quer que eu entre no seu 'culto', 'matilha'? Ou sei lá o que… E ainda fica falando essas coisas estranhas sobre lobisomens e fadas?” Gritei.
“Não foi isso que eu quis dizer. E eu nunca mencionei fadas. Volte comigo para o restaurante e eu explicarei e contarei tudo o que você precisa saber sobre nós, como tudo funciona e o que você pode esperar,” ele tentou me convencer.
“Somos lobisomens?” Questionei. Ele permaneceu ali, acenando com convicção.
“Então, você está me dizendo que estou amaldiçoada? Que estou presa a você como sua companheira e que somos lobisomens?”
“Você é uma jovenzinha bem ingrata, né?” ele disse severamente.
“Zoe, escuta. Tive uma semana terrível e agora preciso ir para o centro. Então, caso não se importe, eu agradeceria se me deixasse em paz e parasse de me seguir.”
“O que aconteceu com seu emprego na lanchonete?” Zoe perguntou.
“Como você sabe que eu trabalhava lá?”
“Te vi lá dentro quando estava passando de carro a caminho do trabalho uma vez.”
“Certo.” Eu me virei para ir embora.
“Espere aí, fique com isso.” Ele me entregou seu cartão de visita.
Peguei e abaixei a cabeça para ler: “CEO da Zoe Creations” com um número de contato. Olhei para Zoe confusa.
“Se você precisar de um emprego, me ligue”, disse ele.
“Obrigada, mas tenho certeza de que vou ficar bem,” disse, devolvendo o cartão.
“Não, fique com ele, caso precise. Nos vemos por aí, Ayla.” Ele me deu uma piscadela antes de subir o vidro da janela, ficando fora de vista.
“Ei!” Gritei enquanto ele ia embora. “Como você sabia meu nome?”
Fiquei observando o carro se afastar gradualmente. A lanchonete estava logo adiante. Não queria passar por ali, mas não havia outra opção; a floresta era a única alternativa nas proximidades. Estranhamente, havia mais carros em frente à lanchonete do que o habitual.

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