Entrar Via

A Escolha Certa com o CEO Errado romance Capítulo 125

Charles se abaixa lentamente até se sentar no chão, ao lado dos netos. Seus olhos pousam nas mãos ensanguentadas de Noah, e um suspiro pesado escapa de seus lábios. Ele sacode a cabeça, claramente incomodado com a cena, mas também carregado de algo mais profundo, uma mistura de desaprovação e uma tristeza contida que ele não deixa transparecer completamente.

— Vovô. — Noah começa, sua voz embargada, enquanto tenta limpar as lágrimas com as mãos machucadas. — Me desculpa. — Murmura, seu olhar fixo no chão como se não merecesse encarar o avô.

— Não é para mim que você deve desculpas, filho. — Charles responde, com gentileza, seus dedos percorrendo os cabelos do neto num gesto de conforto que remonta à infância. — Sinto muito constatar o quanto Grant falhou com vocês. — Continua, sua voz carregando o peso de anos de arrependimento. — Dominic tem razão, você errou, mas ainda há tempo para corrigir esses erros. Basta você realmente querer.

— O senhor me odeia por ser tão fraco? — Pergunta, hesitante, a voz quase quebrando com o peso da dúvida.

Charles não responde com palavras. Em vez disso, puxa o neto para um abraço caloroso, um gesto tão inesperado que faz o coração de Noah apertar. O contraste entre aquele afeto genuíno e a frieza constante de Grant nunca foi tão evidente.

— Não, meu querido. — Responde, com ternura, depositando um beijo no topo de sua cabeça. — Tenho muito orgulho de vocês, sempre tive. — Afirma, afastando-se apenas o suficiente para beijar sua testa. — A vergonha é minha, por não conseguir ficar com vocês. — Confessa, a dor da perda da guarda continua viva em sua voz. — Mas era o desejo da mãe de vocês. — Continua, seu olhar alternando entre os netos. — Sem contar que, naquela época, Grant tinha uma esposa, enquanto eu, bem, seguia minha fama de mulherengo. — Acrescenta, com um sorriso nostálgico que arranca risadas suaves dos netos. — Mas, como podem ver, finalmente sosseguei.

— Ela me odeia, vovô? — Pergunta, finalmente verbalizando uma das questões que o assombram.

— Não, Amélie é uma mulher extraordinária. — Começa, seus olhos brilhando ao falar da esposa. — Nos conhecemos durante uma viagem, e fiquei instantaneamente fascinado por ela. Quando descobriu nossa ligação familiar, ela me contou tudo sem hesitar. — Conta, sua voz assume um tom mais sério. — Ela não guarda mágoas, Noah. Há muito te perdoou. — Afirma, erguendo gentilmente o rosto do neto para encará-lo. — Mas deseja, assim como eu, que seu arrependimento seja sincero.

— Por que não fomos convidados para o casamento, vovô? — Dominic pergunta habilmente, percebendo que Noah precisa de um momento para processar suas emoções.

— Então. — Começa, com um sorriso constrangido, enquanto coça a cabeça em um gesto inconfundivelmente seu. — Fomos casados por um Elvis Presley. — Confessa, arrancando gargalhadas dos netos ao revelar, com certo humor, que seu casamento aconteceu em uma capela em Las Vegas. — O que posso dizer? Aos sessenta e cinco anos, ainda consigo surpreender. — Brinca, seu coração aquecendo com a presença dos netos. — Que tal um jantar em família? — Sugere, levantando-se com um entusiasmo juvenil. — Quero mostrar a vocês minha nova casa. — Declara, sua animação é palpável, mas murcha ao notar a troca de olhares familiar entre os gêmeos. — Como sempre, vocês não podem.

— Desculpa. — Respondem em uníssono, arrancando um sorriso nostálgico de Charles ao lembrar da sincronia que sempre marcou seus netos.

— Podemos marcar antes do senhor voltar para Nova Zelândia? — Dominic sugere, erguendo-se e observando Noah fazer o mesmo.

— Cuide dessas mãos primeiro, moleque. — Adverte, apontando para os ferimentos de Noah. — E não voltarei para Nova Zelândia tão cedo. Comprei uma casa próxima daqui.

Enquanto isso, no silêncio quase sufocante de seu apartamento, Vivienne fixa os olhos na tela do celular. Ainda tentando processar o que havia acontecido mais cedo, o bloqueio abrupto de sua prima, e a resposta que contrariava todas as suas certezas, como se Elena realmente acreditasse na sua morte. O desconforto cresce no peito, mas é interrompido pela vibração insistente de uma nova chamada.

Na tela, apenas um número privado.

Vivienne hesita, o dedo pairando sobre a tela enquanto sua mente é tomada por uma enxurrada de possibilidades, nenhuma delas reconfortante. O número privado cintila diante de seus olhos, trazendo consigo uma sensação crescente de alerta. Finalmente, com a respiração pesada e o coração martelando no peito, ela atende.

Mas não diz nada.

Apenas o som de sua respiração ecoa pela linha, irregular e carregada de tensão, preenchendo o silêncio opressor que parece durar uma eternidade.

— Não ouse desenterrar o passado, ou ele será a sua ruína.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: A Escolha Certa com o CEO Errado