Grupo Simões.
Óscar estava com as pernas esticadas sobre a mesa de trabalho, o corpo relaxado na ampla cadeira de couro.
A tela do celular se acendeu, exibindo uma nova mensagem: [Óscar, Lídia foi para a França em um programa de intercâmbio.]
Ele passou os olhos pela mensagem distraidamente, mas um sorriso se alargou em seus lábios, tingindo até suas sobrancelhas com um toque de interesse. Ele zombou em voz baixa:
— Parece mesmo uma coincidência do destino.
Seus dedos tocaram a tela e uma mensagem de voz foi enviada instantaneamente, o tom rápido e decisivo:
[Reserve uma passagem para a França no próximo voo, o mais rápido possível.]
Dito isso, ele baixou as pernas e girou a cadeira.
Os dedos longos deslizaram pelo teclado e, em instantes, uma breve solicitação de licença foi enviada. A luz da tela refletia a expectativa em seus olhos.
Nesse momento, alguém bateu suavemente na porta do escritório.
Óscar não levantou a cabeça, os dedos ainda pousados no teclado, e respondeu com indiferença: — Entre.
A porta se abriu. O assistente apareceu primeiro, seguido por dois carregadores que transportavam com cuidado uma grande caixa de papelão, alta como uma pessoa.
— Sr. Óscar, a cadeira que o senhor encomendou chegou.
Os olhos de Óscar brilharam. Ele se levantou de um salto e chutou a cadeira antiga para o lado, as rodinhas arranhando o chão com um som estridente.
— Finalmente! Mais um dia naquela porcaria e minhas costas iam quebrar!
Ele se encostou na mesa, observando os homens abrirem a caixa e montarem as peças. De repente, virou-se para o assistente e ordenou: — Peça meu almoço, o prato principal daquele restaurante de antes.
— Certo. — O assistente concordou e se retirou.
Dez minutos depois, a cadeira estava montada.
— Senhor, pode experimentar — disse um dos carregadores.
Só quando a brasa queimou seus dedos foi que ele a apagou e jogou a bituca no lixo, entrando na casa iluminada com passos firmes.
As luzes da casa estavam todas acesas. Um empregado o viu entrar e o cumprimentou com uma reverência respeitosa: — Jovem Mestre.
Tiago respondeu com um breve “uhum” e varreu com o olhar as pessoas sentadas na sala. Um sorriso que não era bem um sorriso surgiu em seus lábios:
— O que foi? Estavam todos me esperando?
Amado, sentado no sofá, foi o primeiro a falar, em tom de brincadeira:
— Mas é claro. Nosso grande e ocupado Diretor Nunes finalmente chegou.
Tiago desabotoou o paletó e sentou-se ao lado dele, respondendo com displicência:
— Você está enganado. O mais ocupado da casa é o Ministro Nunes. Às vezes, passamos meio mês sem vê-lo. Eu não chego nem perto.
— Ah, vocês... todos ocupados. Só esta velha senhora aqui não tem o que fazer.

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