De volta ao camarote, Isabela sentia a palma da mão queimar.
Estela ergueu os olhos, observando os dois, e disse com um ar de quem já sabia de tudo: — Tudo bem?
Óscar coçou a cabeça, as bochechas coradas, e respondeu, constrangido: — Tudo, tudo bem! — Em seguida, virou-se para Isabela, com um olhar obediente, e disse em voz baixa: — Isabela, me desculpe!
Isabela sorriu e deu um tapinha em seu braço:
— Não foi nada. Eu sei que sua intenção foi boa.
Ao ouvir isso, Óscar endireitou as costas e prometeu com convicção:
— Isabela, pode ficar tranquila! Vou me matricular em uma aula de boxe assim que voltar. Da próxima vez que o encontrar, vou enchê-lo de porrada!
— Ótimo, eu te apoio! — Estela comentou, ao lado, com um sorriso travesso nos olhos.
Ivana, ao lado, inclinou a cabecinha e puxou a manga de Óscar:
— Tio Óscar, em quem você vai bater?
— Em um cana... — Óscar se interrompeu bruscamente. A palavra morreu em sua boca, e ele sorriu, afagando o cabelo de Ivana. — Vou bater... nos malvados que maltratam os outros.
Ivana assentiu, sem entender direito, a testa franzida.
Nesse momento, Seven, na cadeirinha, bebia seu leite em pequenos goles. Em pouco tempo, o copo estava vazio.
Ele colocou o copo na mesa e chamou com sua vozinha: — Mamãe, mais...
Isabela pegou a caixa de leite e encheu o copo dele novamente, passando o dedo em seu narizinho:
— Depois que beber este, acabou.
Seven assentiu obedientemente e voltou a segurar o copo.
Estela empurrou o cardápio para Óscar e ergueu o queixo: — Peça o que quiser. Sua Isabela paga.
Os olhos de Óscar brilharam. Ele pegou a caneta imediatamente: — Nesse caso, não vou me fazer de rogado!
A empregada abriu a porta e viu Enrique parado ali, balançando um saco de frutas:
— Onde está o seu patrão?
— O senhor está descansando — respondeu a empregada, respeitosamente, dando-lhe passagem.
Assim que Enrique entrou na sala, viu Tiago recostado no sofá, de olhos fechados.
Seu olhar passou pela marca nítida dos cinco dedos em sua bochecha esquerda, e ele riu baixo:
— Faz só duas horas que não nos vemos, Diretor Nunes. Quem foi que se irritou com esse seu rosto? Que coragem, te dar um tapa. Me diga quem foi para que eu possa conhecer essa pessoa.
Tiago abriu os olhos lentamente, o olhar ainda sombrio, e disse, impassível:
— O que veio fazer aqui?
— Ouvi dizer que você se machucou, então comprei frutas e vim te ver. — Dizendo isso, Enrique tirou uma banana do saco e a estendeu para ele, um sorriso travesso nos lábios. — Quer? Embora, com esse rosto, acho que você não vai conseguir mastigar. Deve doer.

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