À tarde, assim que Isabela voltou para a casa de Estela, esta já havia agendado um encontro com um advogado de divórcio para ela.
Quando o advogado perguntou a Isabela quais eram suas exigências, ela respondeu com calma:
— Não quero nada. Abro mão de tudo.
O patrimônio da Família Nunes não tinha nada a ver com ela e, de qualquer forma, com sua própria capacidade, ela tinha mais do que o suficiente para criar um filho.
O advogado não fez mais perguntas. Concordou imediatamente e redigiu o acordo de divórcio com rapidez.
Isabela, no entanto, quis saber mais:
— Depois de assinar este acordo, nosso casamento estará legalmente dissolvido?
— Ainda é preciso obter a certidão de divórcio. Ambos precisarão dela caso queiram se casar novamente no futuro — explicou o advogado, paciente.
— Obrigada, entendi — disse Isabela, agradecendo com um aceno de cabeça.
Depois que o advogado foi embora, Estela entrou no quarto de hóspedes e encontrou Isabela sentada no sofá, com o olhar perdido. Ela se aproximou e a abraçou com ternura.
— Quando você pretende procurá-lo? Eu vou com você.
— Amanhã de manhã — respondeu Isabela em voz baixa.
Ela só queria acabar com tudo aquilo o mais rápido possível, ir embora daquele lugar. Os enjoos da gravidez ainda a atormentavam, e quanto mais tempo demorasse, maior o risco de ser descoberta. Era uma aposta que não podia perder.
— Certo, eu estarei com você — disse Estela, com firmeza, envolvendo os ombros da amiga.
Enquanto conversavam, o celular de Isabela vibrou. Era um arquivo enviado pelo detetive particular.
Ela pegou o celular, abriu o arquivo e, ao terminar de ler, um sorriso frio e sarcástico surgiu em seus lábios.
Entregou o celular a Estela que, ao ler, ficou tão furiosa que rangeu os dentes.
— Que devoção ridícula! Deixa que eu cuido disso. Vou dar uma lição nele.
— Ele não vale a pena — disse Isabela, balançando a cabeça. — Estela, deixe o Diretor Guerra voltar para casa. A culpa não é dele. Tiago enganou a todos. Não quero que o meu problema afete o relacionamento de vocês.
— Não se preocupe, eu só estava o assustando — respondeu Estela, assentindo. — Ele provavelmente soube de tudo antes de nós, mas preferiu não nos contar.
Tiago pegou o laudo, e seus olhos ficaram vermelhos no instante em que o leu. Ele a encarou, furioso:
— Você é cruel, Isabela!
— Por mais cruel que eu seja, não chego a um milésimo de você.
Isabela o olhou nos olhos, cada palavra nítida.
— Foi você quem causou tudo isso. A dívida de vida que a Família Lopes tinha com a Família Landim está paga.
Ela já sabia de toda a história da Família Landim.
Olhando para aquele homem consumido por uma "devoção" cega, um sorriso sarcástico surgiu nos lábios de Isabela. Era realmente "comovente" o que ele era capaz de fazer por seu suposto amor de infância.
Ela o provocou:
— Tiago, sem o bebê, você pode ficar com seu amor de infância sem qualquer empecilho. Não finja que amava tanto essa criança. Você só a queria porque a sua amiguinha não pode ter filhos, e de quebra ainda agradaria a sua avó. Que pena que, por mais que você fizesse seus cálculos, eu não realizei o seu desejo.

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