À tarde, enquanto Tiago discutia trabalho com o gerente geral em seu escritório, o interfone tocou.
Ele atendeu. A voz de Justino soou:
— Diretor Nunes, a Srta. Landim está no térreo. Diz que trouxe uma sobremesa para o senhor.
— Hum, diga a ela para deixar na recepção — respondeu Tiago, sem levantar a cabeça.
Justino hesitou.
— Ela disse que gostaria de falar com o senhor pessoalmente.
Tiago parou o que estava fazendo, olhou para o gerente e disse:
— Entendido. Mande-a subir. Leve-a para a sala de reuniões.
— Certo, Diretor Nunes — disse Justino, desligando.
Vinte minutos depois, o gerente saiu. Justino entrou e avisou:
— Diretor Nunes, a Srta. Landim está esperando na sala de reuniões há vinte minutos.
— Já sei — respondeu Tiago, ainda organizando seus papéis.
Cinco minutos depois, Tiago foi até a sala de reuniões.
Lídia estava sentada no sofá, olhando o celular. O vestido branco realçava sua magreza.
Após dois anos de recuperação, sua aparência havia melhorado, mas ela ainda tinha um ar de fragilidade, despertando o instinto de proteção dos outros.
Ao ouvir a porta se abrir, ela ergueu os olhos, o olhar terno e animado.
— Tiago, você terminou?
Ele a olhou brevemente.
As lágrimas ameaçavam cair, tornando-a ainda mais digna de pena.
Como Tiago continuava em silêncio, ela baixou a cabeça, a voz embargada.
— Tiago, eu realmente não queria te usar. Fui imprudente. Não vai acontecer de novo.
— Lídia — disse Tiago finalmente, o rosto sério, a voz baixa e fria —, eu odeio ser manipulado.
— Eu sei que errei... — Lídia levantou os olhos, a atitude sincera. — Que tal eu ir à casa principal e explicar tudo para a avó Nunes pessoalmente?
— Não precisa. Já expliquei.
Tiago olhou o relógio. O gesto, para Lídia, era um sinal claro para que ela fosse embora.
Ela engoliu a decepção e disse com a voz suave:
— Tiago, vim principalmente para te trazer a sobremesa e me explicar. A propósito, meu aniversário é na próxima semana. Você vai estar comigo?

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