Isso lhe causava uma profunda sensação de impotência.
Ao ouvir essas palavras, o médico empurrou levemente os óculos e respirou fundo.
— Talvez ela tenha acumulado tamanha decepção em relação a você que sinta ser inútil se comunicar sobre qualquer coisa. Você mentiu muito para ela? Portanto, não é que ela não se interesse pelos bebês ou pelo pai, mas sim a decepção com você, acreditando que você está apenas mentindo para ela de novo... — Ele olhou para Arthur.
O corpo de Arthur enrijeceu-se por inteiro e a atmosfera ao seu redor tornou-se sombria.
Decepção?
Ela sequer o amava, sequer gostava dele.
De onde viria essa decepção?
Após um longo silêncio, Arthur abriu a boca lentamente e perguntou novamente:
— Em situações como essa, existe alguma solução?
— Basta esperar que ela se recupere lentamente sozinha. Se não conseguir se recuperar, teremos que recorrer a tratamentos.
— Mas você não precisa se preocupar demais. A força de vontade da sua esposa é muito maior que a de pessoas normais.
— Se fosse outra pessoa a passar por essas atitudes e tratamentos, já teria enlouquecido.
-
Naquela noite.
Arthur não dormiu.
Ele passou a noite inteira sentado fumando no térreo do bloco de internação.
As palavras dos médicos ecoavam continuamente em sua mente.
No meio da fumaça rodopiante na escuridão noturna, o semblante do homem demonstrava fadiga e abatimento.
Já não havia mais resquícios da postura altiva e majestosa que costumava exibir.
Quando Jonas chegou de manhã para entregar a comida, viu Arthur sentado lá embaixo.
— Sr. Diniz... O senhor não dormiu a noite toda? Que tal eu cuidar da Sra. Diniz enquanto o senhor volta para se lavar e descansar um pouco?
Arthur levantou os olhos, encarou a comida nas mãos de Jonas e ficou em silêncio por um instante.
— Hum, leve a comida para a Sra. Diniz e contrate uma enfermeira para ela. — Em seguida, ele se levantou.

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