Com um "clique".
Alguém empurrou a porta por fora.
Beatriz estremeceu ligeiramente, voltando a si das lembranças.
Ela olhou para a porta.
Arthur entrou. O homem trazia o almoço nas mãos.
Ele caminhou até a beira da cama e montou a mesinha portátil com habilidade.
— A Valentina Rossi veio te ver de manhã; conversaram bastante?
Ele sentou-se e perguntou com um tom amável.
Beatriz não disse nada.
— A médica disse que você parecia feliz conversando com ela, mas comigo você não tem palavras. — Arthur observou o rosto dela: — Tudo bem se não quiser falar comigo, mas você precisa comer.
Ele estendeu o garfo para ela.
Beatriz baixou o olhar e não o pegou.
— Você não quer comer ou quer que eu te dê na boca? — Arthur não recolheu o garfo; em vez disso, perguntou.
— Mesmo que você não queira comer, o bebê na sua barriga precisa. — Arthur olhou para ela: — Ou então você simplesmente quer que eu te alimente.
Beatriz observou o rosto dele; não havia mudado muito desde aquele verão, apenas adquirira um ar mais contido e maduro.
Essa simples diferença, contudo, tornava-o extremamente distante.
As pessoas mudam.
Aquele Arthur bom e gentil já havia morrido há muito tempo.
Beatriz puxou o fôlego, pegou o garfo e começou a comer em silêncio.
Com a chegada dele, Beatriz não tinha vontade de conversar; qualquer tentativa de diálogo talvez desaguasse em mais brigas intermináveis.
Arthur também tinha em mente os conselhos dos médicos de que o estado emocional dela não deveria sofrer abalos.
Por isso, ele não insistiu em nenhum assunto, limitando-se a dizer:
— A médica disse que em três dias você poderá ir para casa se recuperar. A Dona Ema continuará cuidando de você.
— De agora em diante, não atenda às ligações da Mansão Diniz, e se mandarem você voltar, não volte. — Arthur fez uma pausa e acrescentou.

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