Beatriz repuxou os lábios com sarcasmo, virou-se e foi embora.
Ela não queria ver aquela cena de afeto ambíguo nem se implorassem.
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Ao descer, Beatriz notou que a noite estava escura e gélida, o que a fez apertar as próprias roupas.
Foi então que sentiu um peso sobre os ombros, e um sobretudo preto a cobriu.
Surpresa, ela se virou e encontrou o olhar sorridente de Alistair:
— Vista isso, para não pegar um resfriado.
O sorriso no rosto de Alistair era acolhedor. Apesar de jovem, ele tinha o seu próprio jeito de cavalheiro. Depois de cobri-la, recuou as mãos e deu um leve passo para trás.
O casaco trazia um perfume jovem, fresco e muito agradável.
— O que você está fazendo aqui?
— Estava de passagem e vi você tremendo de frio sozinha, então, gentilmente, te trouxe um casaco para aquecer. — Alistair inclinou a cabeça de leve. — É difícil conseguir um táxi a esta hora. Quer que eu te leve para casa?
Beatriz não recusou e o acompanhou até o carro dele.
No entanto, no meio do caminho, Beatriz percebeu que aquela não era a rota para casa.
— Para onde você está me levando?
Alistair encostou-se preguiçosamente no banco, segurando o volante com uma mão só, e disse num tom relaxado:
— Do que você tem medo? Eu não vou te vender, prometo.
— Se não vai dizer, me deixe sair.
Beatriz estava sempre em alerta. Embora Alistair só demonstrasse boas intenções, afinal eles não se conheciam há muito tempo. Naquele momento, ela não pôde deixar de suspeitar.
— Toda essa desconfiança comigo? — Alistair suspirou. — Eu só vi que você não estava de bom humor, então quis te levar para relaxar um pouco.
Beatriz o observou, franzindo a testa.
— Você já entrou no meu carro, então confie em mim. — Alistair disse. — Eu não sou o vilão da história.

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