Julia acabou engolindo a recusa que já estava na ponta da língua. Ela se levantou do corpo de Lucas em silêncio e olhou secamente para o homem.
— Posso cuidar de você, mas se ficar se engraçando, arrume uma cuidadora.
Lucas deu uma risada e ergueu as sobrancelhas.
— Não precisa ter tanto cuidado, professora Julia. Mesmo que eu queira, eu não posso.
— Então, você pode chamar a enfermeira para mim? Acho que o meu ponto abriu.
Julia ficou surpresa. Ela se aproximou, puxou o cobertor e viu que a roupa de hospital do homem já estava sangrando.
Ela respirou fundo.
— Gosta de se mexer, bem feito.
A paciência dela realmente não funcionava com Lucas.
Julia chamou a enfermeira, que trocou o curativo de Lucas e o alertou várias vezes que os pontos não podiam abrir novamente.
Lucas estava encostado na cama com uma expressão vazia, sem saber se ele estava escutando.
Julia perguntou sobre mais cuidados e anotou no celular.
Ao ver o rosto sério da mulher, Lucas estalou a língua no coração.
Se ele soubesse que a tática de usar a própria dor funcionava tão bem, para que se embebedar?
Quando a enfermeira saiu, Julia não aguentou mais.
Ela não conseguia ignorar o olhar fixo do homem, principalmente com aquele rosto e aqueles olhos. O olhar quente e grudento era familiar e estranho ao mesmo tempo, deixando-a desconfortável.
Esse desconforto se transformou em uma raiva inexplicável e em outras emoções estranhas.
Ela não sabia se Lucas, por estar machucado, estava com os pensamentos confusos por causa da dor. O olhar dele estava cada vez mais exagerado.
Julia ficou irritada por ser encarada:
— Por que você não para de me encarar? Toma o remédio!
Ela tirou o remédio, serviu água, enfiou o copo na mão de Lucas e não resistiu em acrescentar uma frase.
— Parece que a dor não está doendo o suficiente.
Por isso ele tinha tempo para falar baboseiras.



VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa que Ele Esqueceu e o Filho que Nunca Conheceu