Ela estava acostumada a colocar Clarinha para dormir.
Aquelas palavras saíram naturalmente para Lucas e a deixaram constrangida.
Ela ficou parada, pensando em como consertar.
Mas Lucas já tinha entendido errado, e o sorriso transbordou de seus lábios.
— Tá bem, eu obedeço.
A explicação que Julia estava prestes a dar parou na garganta.
Se ela explicasse, ficaria pior. Esquece, ela não ligava para o que Lucas pensasse.
O médico prescreveu anti-inflamatório três vezes ao dia. Lucas tomaria o próximo soro à tarde. Como ainda era cedo e Julia se sentia desconfortável no quarto, ela resolveu sair do hospital para comprar os itens de necessidade básica.
No caminho, a Sra. Dora Fontes fez uma videochamada para Julia.
— A Leti disse que você se machucou. É grave?
— Quem se machucou foi o Lucas, não eu. Nesses dois dias, eu talvez não tenha tempo para ver a Clarinha, Sra. Dora, me ajude a cuidar dela.
Enquanto Julia falava, Clarinha ouviu a videochamada da Sra. Dora. A garotinha era muito inteligente para a sua idade.
Ao saber que a mãe estava no celular, ela esticou a cabeça e sorriu para Julia na tela.
— Mamãe...
Ao ver a filha assim, o coração de Julia derreteu.
— Clarinha, seja boazinha, a mamãe vai te ver quando tiver tempo.
Ela conversou um pouco com a filha pela tela e desligou.
Julia voltou para a Villa Valente, pegou alguns itens básicos e, vendo que já era hora de Lucas trocar o curativo e tomar o soro, dirigiu para o hospital.
Ela chegou na porta do quarto com as sacolas e parou.
Ela ouviu uma voz familiar pela porta e espiou pela janela.
Lucas estava sentado na cama. Clarice segurava gaze e algodão com álcool, com os olhos vermelhos e ergueu um lado da roupa dele.


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