— Lucas, eu entendi.
Lucas não falou nada no caminho.
Assim que o carro parou no portão da Villa Valente, a Sra. Helena saiu e abraçou o braço de Clarice carinhosamente.
— Clarice, conseguiu comprar alguma roupa que gosta hoje?
— Está com fome? Como você tem o corpo fraco, fui aprender uma receita medicinal para dar uma forcinha no seu organismo.
— O que houve, Clarice? A sua cara não está muito boa. Por que seus olhos estão vermelhos?
A Sra. Helena notou rapidamente o silêncio e o comportamento estranho de Clarice, virou-se quase no mesmo instante para Lucas e ficou irada.
— Lucas, eu pedi para você acompanhar a Clarice nas compras, e você foi grosseiro e a aborreceu?
— Sra. Helena, não culpe o Lucas, isso não tem a ver com ele...
Claro que a Sra. Helena não acreditou, balançou a cabeça olhando para Clarice.
— Não defenda ele. O gênio dele é ruim e eu conheço muito bem.
Lucas estava acostumado com as palavras da Sra. Helena e apenas curvou os cantos dos lábios.
— Mãe, pode parar de tentar adivinhar as coisas? A Clarice é quem é sentimental, e a culpa é minha?
— Eu falo assim desde que nasci, a sua filhinha amada já tá acostumada.
— Já que tem tanto tempo livre, você deveria levá-la a mais eventos. A idade dela chegou, tá na hora de arrumar um pretendente.
Lucas disse com seriedade.
A Sra. Helena ficou surpresa e olhou para o filho.
— Lucas, você tá falando sério?
— E por que não estaria? Você gosta muito dela, mas não pode mantê-la do seu lado a vida toda, né? Se você for sentir tanta falta dela assim, arruma alguém para casar com ela e vir morar aqui.
— A Julia vai sair do trabalho logo. Vou indo.

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