Após retornarem ao Condomínio Brisa do Lago, Julia lavou-se e foi direto dormir.
Lucas estava um pouco irritado e foi fumar na varanda.
Da varanda, era possível ver as rosas de várias cores que Julia havia transplantado no pequeno jardim.
Como era o auge do verão, a fragrância das rosas flutuava, e isso deveria deixá-lo feliz.
Mas a mente de Lucas estava divagando longe.
Ele tinha voltado no sexto mês após a ida a Porto Azul naquele ano.
Naquela época, ninguém sabia que ele tinha pegado um voo de volta.
E ficou esperando uma noite inteira na esquina do Condomínio Brisa do Lago.
Julia voltou à meia-noite, ela tinha emagrecido muito.
Ele observou em silêncio de não muito longe, hesitando se devia abrir mão do orgulho e aparecer.
Porém ele viu Julia com uma revista de negócios nas mãos, e nela estava estampada a foto de Hugo Bastos.
Era o começo do verão, mas, no meio da brisa noturna, ele sentiu frio.
Daquele dia em diante, ele retornou a Porto Azul, e por mais que pensasse em Julia, não quis voltar.
A bituca de cigarro queimou até as pontas dos dedos, e a dor o fez recuperar os sentidos.
Letícia disse que ele tinha gênio de riquinho e que era convencido.
Ele admitia.
Mas dizer que ele não se importava com Julia e não estava disposto a compreendê-la era, ao mesmo tempo, certo e errado.
Ele era do tipo de pessoa inflexível, e quando ficava com algo na cabeça, ia até o fim não importa como, mesmo que os meios não fossem honrados.
Ele sabia a pessoa horrível que era, por isso foi para tão longe.
Acostumou-se a viver uma vida sem a Julia.
Mas quando recebeu o aviso de estado crítico, o único pensamento dele era de que ele não estava disposto a deixá-la fugir daquele jeito.
Mesmo não conseguindo chegar perto dela.
No passado, quando o avô o levava ao templo, o mestre disse que ele era muito rebelde, teimoso, e que teria um caminho amoroso tortuoso no futuro.


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