Antonella pensava demais.
Eu não fiquei brava, e muito menos pelas palavras que ela dissera.
Eu apenas me sentia sufocada. A dor no peito parecia uma rede gigante, envolvendo meu coração e me sufocando, a ponto de eu mal conseguir respirar.
Eu não culpava Antonella.
Nem mesmo Norberto.
Eu culpava a mim mesma. Como em oito anos eu pude colocar apenas Norberto nos meus olhos e coração? E a culpa também era por eu não ser capaz. O casamento de três anos, por mais que eu tenha tentado tanto, não conseguiu esquentar o coração dele. Em vez disso, foi através desse amor que lhe dei o direito de me machucar, de zombar e me apunhalar perante os olhos da sua queridinha nesta mesma noite.
— Dra. Monteiro, tudo bem? — Gabriel me acompanhou, pegando o meu braço e me levando até o banheiro. E com uma carranca e irritado: — Eu sabia, eu sabia que aquele tal jantar de desculpas da Antonella não ia trazer nada de bom, por isso decidi vir junto. E eu tinha razão. Esse Norberto parece não ter coração!
E, no final das contas, ele realmente veio nos acompanhando, e não por alguma coincidência repentina.
Fiquei ainda mais grata por ele estar ali. Com certeza, éramos próximos o bastante. Gabriel estava com medo de eu me machucar ou sofrer alguma injustiça.
Mas com o temperamento de Norberto, e a preocupação dele por Antonella, como ele poderia largar a sua humilhação e os seus ataques contra mim apenas por causa da chegada de Gabriel?
— A Antonella também está tirando a roupa toda para não fazer nada. Sabe muito bem que os dois departamentos têm uma atividade de equipe para fazer, e mesmo assim quis te chamar para esse tal jantar de desculpas. E em vez de ser só jantar, teve que chamar o Norberto. Só não estava satisfeita em te ver sofrer! — Gabriel ficava cada vez mais irritado, e por fim deixou as suas emoções explodirem. — No que depender de mim, nós não precisamos jantar aqui. Vamos sair agora. Eu te levo para comer num lugar legal.
Eu não neguei nem concordei, apenas fiquei encarando o seu rosto com raiva. E de repente achei ele bastante fofo.
O meigo e tolo Gabriel parecia estar sempre impulsivo por mim. Ele confrontou e desafiou Norberto em meu nome, o que era um grande contraste.
Ao chegar no banheiro, lavei o meu rosto com água fria. Quando me vi no espelho com o rosto molhado, estiquei os lábios, mas apenas demonstrei um sorriso ainda mais trágico que um choro.

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