— Acho que devo esperar lá fora. — Disse Stone suavemente, em um tom respeitoso.
Isla assentiu, com os olhos transbordando gratidão.
— Obrigada, Stone. Sou muito grata por isso. — Disse ela, oferecendo-lhe um pequeno sorriso de agradecimento.
Stone retribuiu com um aceno educado e então se voltou para Charles e Diana, fazendo uma breve e cortês reverência antes de sair do quarto e fechar a porta silenciosamente atrás de si.
No momento em que a porta deu o clique final, Isla exalou o ar de forma trêmula e sentou-se novamente na cama do hospital. Seus dedos tremiam enquanto ela tocava a tela do telefone.
Seu pulso acelerou, cada batida parecia mais alta do que o bipe suave do monitor ao seu lado. Ela estava desesperada para saber se a gravação havia funcionado.
Quando Alfred Wyndham pediu para vê-la a sós em seu escritório, ela ligou secretamente o gravador de voz do celular e o deixou rodando dentro da bolsa. Ela nunca interrompera a gravação, mesmo depois de ser arrastada para o depósito por Anna.
Se tudo estivesse gravado ela finalmente teria a prova, não apenas da crueldade de Anna, mas de cada palavra dita e cada ato cometido.
Suas mãos oscilavam enquanto ela navegava pelo aparelho, com o coração martelando. Abriu o aplicativo de gravação e percorreu a lista de arquivos. Seus olhos buscavam freneticamente pelas datas, procurando o arquivo correto.
E então, ela o encontrou.
A gravação tinha quase duas horas de duração.
Duas horas completas, começando desde sua conversa com Alfred no escritório, passando por todo o encontro com Anna.
Sua garganta apertou. Ela olhou brevemente para os pais, que se aproximaram, se portando de forma protetora ao seu lado. A mão de Charles pousou levemente em seu ombro, enquanto os olhos de Diana não deixavam o rosto da filha.
Respirando fundo, Isla apertou o play.
A princípio, não houve nada além de silêncio. O zumbido baixo do ar-condicionado do hospital preenchia o vácuo. As sobrancelhas de Isla se franziram.
Ela avançou alguns segundos e ainda nada.
Então, subitamente, um leve estalido sonoro.
E a voz profunda de Alfred preencheu o quarto.
Diana ofegou baixinho, levando a mão à boca. Charles congelou ao lado dela. Isla fechou os olhos por um momento, sentindo uma onda de alívio. Tinha funcionado.
A gravação continuou. Ela conseguia ouvir os suspiros de Alfred, o peso de sua confissão, as pausas entre suas palavras. Cada som trazia de volta a memória vívida daquele momento.
Isla avançou a gravação novamente, pulando as partes de que já se lembrava claramente, até ouvir o trecho que procurava.
Sua própria voz surgiu, aterrorizada, gritando por socorro.
Diana apertou o peito, ofegando em horror. Charles fechou os olhos com força; seus punhos se cerraram.
E então, a voz de Anna ecoou. Era fria, destilando ódio.
O som da luta seguiu, ruídos de arrastamento, gritos abafados, o apelo desesperado de Isla para proteger seu filho.
— Por favor, não machuque o meu bebê... —
O dedo de Isla pressionou a pausa. Ela não conseguia ouvir nem mais um segundo. Seu corpo inteiro tremia.
Diana desabou na cadeira ao lado da cama, soluçando incontrolavelmente. Charles virou-se, a mandíbula tensa, o peito subindo e descendo pesadamente.
Ele não podia acreditar no que acabara de ouvir.
— Como ela pôde? — Murmurou ele, mais para si mesmo do que para qualquer outra pessoa.
— Como Anna pode demonstrar tanto ódio contra a própria família? Depois de tudo o que fiz por ela?
Sua voz quebrou com uma fúria silenciosa, mas ele não disse mais nada. Aquele não era o momento para raiva, não enquanto sua filha ainda estava tão frágil.
Enquanto Maya saía, o olhar de Isla a seguiu por um momento. Seus olhos baixaram para o vestido da irmã, uma seda pêssego suave que fluía gentilmente sobre seu ventre arredondado.
A visão de sua irmã grávida, a pequena saliência da barriga, lembrou-a de tudo o que ela havia perdido.
Ela virou o rosto, piscando rapidamente para conter as lágrimas que ameaçavam transbordar.
Diana percebeu. Viu a forma como a mandíbula da filha se contraiu, a maneira como suas mãos tremiam levemente. Ela aproximou-se e deu um aperto suave na mão de Isla, sem dizer nada.
Momentos depois, a porta abriu-se novamente, e desta vez eram Betsy e Sofie.
— Oh, Isla! — Exclamou Betsy no momento em que viu a amiga. Ela correu e a puxou para um abraço.
— Sinto tanto. Peguei o próximo voo assim que soube.
O calor daquele abraço estraçalhou a frágil compostura de Isla. Ela desabou completamente, soluçando no ombro da amiga.
A mão trêmula de Sofie cobriu a boca enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas. Ela aproximou-se, sentando na beira da cama ao lado de Isla, e abraçou as duas.
As três mulheres ficaram assim, abraçadas em um luto e amor compartilhados.
Os soluços de Isla eram crus agora, carregados de tudo o que ela vinha guardando. O medo, a perda, a raiva...
Somente quando levantou a cabeça é que encontrou sua voz novamente, quebrada e suave.
— Eu nem cheguei a saber o sexo do bebê... — Chorou ela, a voz rachando de dor.
Betsy e Sofie choraram com ela, acariciando suas costas com doçura. Elas não tentaram interromper suas lágrimas; sabiam que ela precisava daquela libertação.
Naquele quarto, cercada por pessoas que a amavam, Isla finalmente se permitiu viver o luto.
Não como uma vítima. Mas como uma mãe que perdera algo precioso.

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