O som estranho que escapou da boca de Isla foi seguido por outro grito agudo. Seu corpo deu um solavanco para frente e ela agarrou o estômago com força, com o rosto perdendo toda a cor.
— Isla! — Gritou Gabriel.
Ele estava ao lado dela em segundos, caindo de joelhos na frente da cadeira. Suas mãos tremiam enquanto ele segurava o rosto dela.
— O que foi? Fale comigo. Por favor, fale comigo.
Os lábios dela tremeram.
— Gabriel… Dói. Tem algo errado.
Antes que qualquer um pudesse reagir adequadamente, outra dor a atravessou, mais forte que a primeira. Isla gritou, seu corpo curvando-se para dentro como se tentasse proteger o bebê dentro dela.
O quarto mergulhou no caos.
— Chamem uma ambulância! — Ordenou John.
— Agora! — Gritou Gladys, já se movendo em direção a Isla.
Gabriel não ouvia mais ninguém. Tudo o que ele conseguia ouvir eram os gritos de Isla. Tudo o que conseguia ver era a dor dela. Ele a levantou com cuidado, segurando-a contra o peito.
— Estou aqui. — Sussurrou ele repetidamente.
— Estou aqui. Você não está sozinha.
Quando a ambulância chegou, Isla já estava tremendo. O suor cobria sua testa. Seus dedos cravaram-se na camisa de Gabriel quando outra onda de dor a atingiu.
— Gabriel, eu não gosto disso. — Ela chorou fracamente.
— É cedo demais. O bebê não está pronto.
— Eu sei. — Sussurrou ele, pressionando beijos em sua testa.
— Mas você é forte. Você émuito forte.
Os paramédicos moveram-se rápido. Colocaram Isla na maca, falando suavemente com ela, dizendo-lhe para respirar devagar. Gabriel subiu na ambulância sem pedir permissão.
— Senhor… — Começou um deles.
— Eu não vou deixá-la. — Disse Gabriel firmemente.
— Nem ousem me impedir.
Ninguém discutiu. As portas da ambulância se fecharam com estrondo e as sirenes gritando na noite.
***
Isla foi levada às pressas por longos corredores, cercada por médicos e enfermeiras. Gabriel caminhava ao lado da maca, segurando a mão dela com força, recusando-se a soltar.
A cada poucos segundos, Isla soltava um grito.
— Gabriel — ela choramingou —, a culpa é sua.
Ele piscou.
— Minha culpa?
— Você fez isso comigo. — Disse ela, respirando com dificuldade. — Você e seu… seu… Porra. Oh meu Deus! — A dor a atravessou novamente.
Uma das enfermeiras soltou uma risada de surpresa antes de cobrir a boca rapidamente.
Gabriel sorriu sem forças.
— Sinto muito, meu amor. Sinto muito mesmo.
— Eu te disse — Isla continuou com raiva, e então gemeu —, eu te disse para ser gentil, mas não, você foi tão bruto e agora, o bebê…
Outra enfermeira riu baixinho.
— Eu nunca mais vou abrir as pernas para você.
— Isla declarou dramaticamente. — Nunca.
Gabriel inclinou-se e beijou a bochecha dela.
— Tudo bem. Eu ainda vou te amar.
Ela arfou.
— Mentiroso.
Os médicos trocaram olhares divertidos enquanto a empurravam para a sala de parto. Apesar da dor, Isla ainda era a Isla. E isso dava a todos um tipo estranho de esperança.
Do lado de fora da sala de parto, a área de espera lentamente enchia com a presença dos membros da família. John e Gladys chegaram. As mãos de Gladys tremiam enquanto ela as entrelaçava, sussurrando orações baixinho.
Landon permanecia em silêncio ao lado do pai, com a mandíbula tensa. Uriel andava de um lado para o outro, passando a mão no cabelo. Enquanto Carl sentava-se com os cotovelos nos joelhos e a cabeça baixa.
Os olhos de Mia estavam vermelhos. Ela não parava de checar o telefone, embora não houvesse nada para checar.
Então mais pessoas chegaram. Diana entrou apressada, o rosto pálido, lágrimas já caindo. Charles a segurava com firmeza, tentando ser forte por ela.
— Minha menina. Minha Isla. — Soluçou Diana.
Betty e Maya seguiam logo atrás. Os lábios de Betty estavam cerrados, os olhos brilhantes. Maya agarrava o braço da irmã, tremendo.
Isla ainda não estava na data de ter o bebê. Esse era o motivo de todos estarem nervosos e assustados. Amigos chegavam um após o outro. A sala estava cheia, mas em completo silêncio.
Todos pareciam apavorados e impotentes, pois sabiam a verdade: sete meses e meio era cedo demais. Cedo demais mesmo. Oravam em silêncio. Alguns apenas encaravam o chão. Ninguém falava em voz alta.
Dentro da sala de parto, Isla gritou novamente.
— Eu não consigo fazer isso! — Ela gritou.

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