A viagem de carro foi silenciosa.
Mercy estava ao lado de Aurelian no banco de trás, as mãos unidas com cuidado sobre o colo, os dedos cruzados como se tentasse manter a cabeça no lugar. O olhar estava preso ao lado de fora da janela fumê, acompanhava a cidade de Aurelia passar num elegante silêncio.
Tudo parecia distante. Aurelian a observava, ele não tinha a intenção, mas observava.
Ela parecia calma, como alguém que tenta não pensar demais.
Ele pressionou um botão discreto ao seu lado, o vidro da divisória subiu suavemente, os isolando do motorista e do mundo exterior. Ele queria que aquela conversa fosse intima. Mercy notou o movimento e virou-se ligeiramente, antes que ela pudesse perguntar qualquer coisa, a mão dele buscou a dela.
Era quente e firme.
Ele ergueu a mão entrelaçada dela gentilmente e a colocou sobre sua coxa. O contato a assustou e o corpo dela ficou tenso instintivamente e ela se virou para encará-lo totalmente.
Seus olhos se encontraram. O verde dele buscando o azul dela. E ele não soltou a mão dela.
— Posso te fazer uma pergunta? — Disse ele baixinho.
Ela piscou uma vez.
— Sim.
Ele estudou o rosto dela por mais um segundo.
— Você gosta de mim?
A respiração dela falhou. De todas as coisas que esperava dele — instruções, conversas de negócios, avisos — essa não era uma delas. Seus olhos se arregalaram levemente.
— Eu... eu não sei. — Admitiu ela suavemente.
— Acho que sim.
As palavras pairaram entre eles. "Acho que sim."
Aurelian ficou imóvel. Ele não esperava incerteza, esperava admiração, gratidão, talvez até um afeto silencioso. Mas incerteza?
Ele soltou a mão dela lentamente e recostou-se um pouco. Ela notou a mudança sutil nele imediatamente.
— Me desculpe. — Apressou-se ela gentilmente.
— Eu não quis dizer desse jeito.
Ele olhou para ela novamente, com a expressão ilegível.
— Eu só... — Ela inspirou suavemente.
— Eu acabei de sair de um relacionamento. E ainda estou tentando entender o que aconteceu. A traição, o coração partido. — A voz dela suavizou.
— Então veio o Adam, as ameaças e a intimação judicial. E antes que eu pudesse processar qualquer coisa, eu estava casada.
Ela lhe deu um pequeno sorriso, quase apologético.

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