A suíte presidencial do Ocean Sovereign os recebeu com uma suave luz dourada. Era a mesma em que haviam ficado durante a última visita, janelas do chão ao teto com vista para o mar, uma lareira de mármore e sofás de veludo dispostos em volta de uma mesa de centro de vidro. O perfume de lírios frescos preenchia suavemente no ar.
Assim que a porta se fechou atrás deles, Mercy deu um passo à frente, alegremente. Seus olhos imediatamente se fixaram na mesa de centro. Duas taças de cristal e um balde com gelo sobre ela, e dentro dele, uma garrafa de champanhe com rótulo discreto, mas inconfundivelmente caro, acomodada no gelo picado, com gotículas de condensação brilhando sob o lustre.
— Uau. — Disse ela baixinho, virando-se para ele com surpresa. — Ainda estamos comemorando?
Aurelian fez uma breve pausa, ele não esperava que ela parecesse tão encantada. Mas respondeu mesmo assim:
— Sim.
Ele tirou o paletó, jogando-o sobre o braço do sofá.
— Você e eu precisamos celebrar o sucesso. — Continuou calmamente.
— Você se saiu bem. Sou eu dizendo... bom trabalho.
Os olhos dela se arregalaram. Ele raramente elogiava, e nunca de forma tão direta.
— Você está me elogiando? — Perguntou ela, quase incrédula.
Os lábios dele tremeram de leve.
— Estou.
O sorriso dela floresceu instantaneamente, não era cauteloso e nem era contido, era radiante, e apenas aquela expressão fez toda a celebração valer a pena.
Ela o seguiu em direção à área de estar enquanto ele afrouxava um pouco a gravata e dobrava as mangas. Ele buscou a garrafa de champanhe, levantando-a do gelo com habilidade. Seus dedos removeram o lacre de forma limpa antes de girar a gaiola de arame. Ele inclinou a garrafa levemente, suas mãos firmes guiando a rolha.
Houve um estalo suave e controlado, o som preencheu o ambiente.
Ele serviu lentamente, o líquido ouro pálido caindo em cascata nos cálices, formando delicadas correntes de bolhas.
— Ao sucesso. — Disse ele entregando uma taça a ela.
Ela ergueu a taça.
— À parceria. — Respondeu ela, brincalhona.
Suas taças tilintaram.
O primeiro gole foi fresco e leve, ligeiramente doce. Aurelian bebeu com moderação, saboreando em vez de consumir. Mercy, porém, sentiu algo mudar a cada gole. O champanhe era suave, mais quente do que ela esperava. Ele se assentou em seu peito e soltou algo dentro dela.
Sentaram-se um de frente para o outro a princípio, ele relaxado contra o sofá, com um armo apoiado no encosto; ela na ponta, com os joelhos levemente voltados para ele.
A conversa começou leve. Primeiro, foram os negócios. A ilha. E sobre a família Whale. Mas, lentamente, o champanhe fez seu trabalho. A postura dela suavizou. Ela dobrou uma perna sob o corpo. Depois ambas. Sua risada tornou-se mais fácil.
— Sabe — disse ela de repente, gesticulando levemente com a taça —, quando eu era pequena, achava que cresceria e construiria algo à beira-mar.
Ele ergueu uma sobrancelha.
— Sério?
Ela assentiu, sorrindo de forma sonhadora.
— Eu desenhava casas, eram grandes e com janelas de frente para a água. Eu não sabia nada sobre negócios naquela época, só sabia que gostava da ideia de ondas do lado de fora do meu quarto. — Ela riu baixinho de si mesma.
— Eu dizia ao meu pai que um dia teria terras. Ele ria e me mandava focar na escola.
Sua voz não era amarga, apenas nostálgica.
Ela moveu-se da ponta do sofá para sentar-se mais perto dele, sem sequer perceber. Ele não a interrompeu, apenas ouviu.
— Eu gostava de desenhar também. — Continuou ela.
Ela deslizou do sofá.
Seus joelhos encontraram o tapete felpudo à frente dele. Ele piscou uma vez e depois outra enquanto ela se acomodava entre as pernas dele sem hesitação. A respiração dele desacelerou, e ela se inclinou para frente. Então, ela o beijou.
Não foi um beijo tímido, também não foi incerto. Foi deliberado.
Os lábios dela pressionaram os dele, macios, mas insistentes. Suas mãos encontraram os ombros dele instintivamente. Ele congelou por meio segundo e então respondeu. Suas mãos subiram para a cintura dela, puxando-a para mais perto. O beijo se aprofundou.
Foi lento e exploratório. Os dedos dela se curvaram na camisa dele. Ele inclinou a cabeça levemente, reivindicando mais dela. Quando o ângulo tornou-se desconfortável, ele a levantou sem esforço, guiando-a para o seu colo.
Ela montou nele naturalmente, seus braços envolvendo o pescoço dele de forma frouxa. O champanhe havia dissolvido sua cautela. Mas a emoção era real. O beijo se intensificou, as mãos dele deslizaram pelas costas dela, de um jeito firme e protetor.
Ela suspirou suavemente contra os lábios dele.
O tempo tornou-se um borrão, ele sentia a respiração dela mudar, ficando mais lenta e pesada. E então, gradualmente, os movimentos dela suavizaram. O beijo desacelerou. O corpo dela relaxou. E antes que ele percebesse... ela havia pegado no sono. Ainda em seu colo.
Ele se afastou um pouco, estudou o rosto dela, os cílios dela repousavam pacificamente contra as bochechas. Os lábios entreabertos, de forma inocente, sem saber o que acabara de fazer com ele. Um sorriso genuíno curvou os lábios dele.
Cuidadosamente, ele se moveu, levantando-se enquanto a segurava com segurança. Carregou-a em direção ao quarto que ela usara anteriormente e a deitou gentilmente na cama. Ajoelhou-se para remover os sapatos dela com cuidado. Cobriu-a com um edredom macio. E por um momento, ele simplesmente olhou para ela.
Afastou uma mecha de cabelo do rosto dela. Então se inclinou e pressionou um beijo terno em sua testa.
— Boa noite, Mercy. — Murmurou baixinho.
Ele desligou o abajur, deixando apenas o brilho tênue das luzes da cidade filtrando pelas cortinas, e fechou a porta silenciosamente.
Dentro de seu próprio banheiro, o vapor começou a preencher o box de vidro enquanto o chuveiro corria. A água escorria sobre seus ombros. Sua mente repetia o momento. A maneira como ela se movera em direção a ele. A maneira como ela o beijara primeiro. A forma como os olhos dela o olharam antes disso.
Seus lábios se curvaram em um sorriso real. Pela primeira vez desde que se casara com ela, ele sentiu progresso, e a sensação era boa.

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