A ida até o Hospital Wyndham pareceu interminável. O carro estava tomado pelo silêncio enquanto Isla e Gabriel permaneciam perdidos em seus próprios pensamentos.
Para Isla, cada segundo que passava aprofundava sua ansiedade. O senhor Alfred Wyndham sempre fora gentil com ela. Era alguém compreensivo, solidário e uma das poucas pessoas que realmente acreditavam em seu casamento com Gabriel. Ele era mais do que família; era alguém em quem ela confiava sem medo. E agora, saber que ele estava em coma parecia uma reviravolta amarga do destino. Seu peito se apertou dolorosamente, e ela entrelaçou as mãos, tentando conter o tremor.
Gabriel por sua vez permanecia rígido ao lado dela, o maxilar travado. A notícia não fazia sentido. O senhor Alfred estava perfeitamente bem no dia anterior. Cheio de vida. Como alguém tão forte e saudável podia simplesmente desabar de repente? O pensamento o deixava inquieto e impotente de um jeito que ele não conseguia explicar.
Quando o carro finalmente parou em frente ao hospital, um dos seguranças de Gabriel que vinha em outro veículo desceu imediatamente para abrir a porta. Gabriel se virou para Isla, oferecendo a mão como sempre fazia. Ela pousou a palma na dele, e assim que desceu, a mão dele foi de forma protetora até a parte inferior de suas costas, guiando-a suavemente em direção à entrada.
Dentro do hospital a atmosfera era tensa. Toda a família Wyndham ocupava o andar privativo, o corredor fervilhava de vozes abafadas e movimentos ansiosos. Isla sentia o peso daquela preocupação pressionando seu peito.
O olhar de Gabriel encontrou imediatamente o pai, que andava de um lado para o outro perto das portas duplas da uti. O rosto estava pálido, os olhos cansados e cheios de dor. Sem dizer uma palavra, Gabriel caminhou até ele com passos rápidos.
O olhar de Isla vagou até encontrar Landon. Um alívio imediato a invadiu ao vê-lo. Entre todas as pessoas naquele corredor, ele era a única de quem ela sentia que podia se aproximar sem hesitar. Caminhou até ele devagar, e no instante em que os olhos dele encontraram os dela, sua expressão se suavizou.
Os ombros dele relaxaram, e um pequeno sorriso reconfortante surgiu em seus lábios.
— Isla. — Disse ele em voz baixa, com um alívio calmo. Seus olhos transmitiam calor, um conforto puro que dizia que ela não estava sozinha naquela preocupação.
Ver aquele olhar no rosto dele aliviou um pouco o medo que se retorcia em seu peito. Sem pensar, ela assentiu e lhe ofereceu um sorriso fraco, agradecido. Por um breve momento, em meio à tensão e ao temor que preenchiam o corredor, parecia que ela finalmente conseguia respirar novamente.
Mia não deixou de perceber a mudança repentina no marido. Na verdade, ficou surpresa ao ver que alguém como Isla podia causar aquele efeito nele.
— Esquentadinha. — Disse Landon em tom de brincadeira, e várias cabeças se viraram na direção deles.
Isla ficou chocada. Não conseguia acreditar no senso de humor dele em uma situação daquelas.
— Sério, Landon? — Repreendeu ela suavemente.
— Como você consegue brincar numa situação dessas?
Ele sorriu, despreocupado.
— Talvez seja porque você finalmente chegou. Sua presença deixou o clima mais leve.
Algumas pessoas trocaram olhares, e a expressão de Mia se endureceu imediatamente. Ela não era a única lançando olhares fulminantes para Isla agora, Wyatt também estava. Mas Isla não olhou na direção deles. Manteve a postura. Alfred Wyndham talvez não estivesse mais ali para defendê-la, mas seu marido estava, e o irmão dele também. Só esse pensamento já firmava seu coração.
— Então… o que exatamente aconteceu com ele? — Perguntou Isla em voz baixa, agora séria.
Landon deu de ombros, embora a tensão em seus olhos traísse o tom calmo.
— Aquele velho, o mesmo que te amava tanto que faria qualquer coisa para te proteger, está lá dentro lutando pela vida. — Disse Delphine, de forma cortante.
— E você está aqui rindo?
Suspiros percorreram o corredor. Agora toda a atenção recaía sobre Isla. Até as sobrancelhas de Gabriel se franziram, a confusão cintilando em seus olhos.
— O que você está dizendo, Delphine? Nem comece uma cena. — Isla tentou explicar.
— Começar? — Delphine interrompeu, o tom afiado como vidro.
— Eu não estou começando nada. Só estou dizendo a verdade. Eu não fui a única que te viu rir. Rir é normal, Isla, mas não quando o pilar desta família está inconsciente dentro daquela sala. Me diga, o que tem tanta graça nisso?
A acusação atingiu Isla como um tapa. As palavras ficaram presas em sua garganta. Ela não havia rido da situação, mas das lágrimas falsas de Sia. Ainda assim, o tom de Delphine a fazia parecer cruel, até mesmo sem coração.
O que mais doeu, porém, não foi a acusação, foi o olhar no rosto de Gabriel. A dúvida em seus olhos.
Ele… acreditou nela?

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