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A Filha da Alcateia (Aysel) romance Capítulo 28

Ponto de vista de Magnus

Eu a encarei, olhos âmbar captando o sol da manhã através das persianas meio fechadas, deixando o lobo sob minha pele se mover, garras flexionando contra a contenção da civilidade.

— Não concordo — disse de forma seca, sem espaço para debate.

Aysel — Aysel Vale, da Alcateia Moonvale, afiada como uma noite de geada — ficou sem palavras diante da minha declaração unilateral. Seus lábios se abriram, ela piscou uma vez e então se firmou naquela linha teimosa que sempre usava quando tentava me medir.

Ainda assim, surpreendi até a mim mesmo ao considerar sua perspectiva. Seu argumento que a emoção pode ser cultivada. Tolo, sim, mas... intrigante. Eu sabia que alianças eram mais fortes quando baseadas em lucro, poder e lealdade, não em sentimentos passageiros parecidos com os humanos. Mas, mesmo assim, deixei que ela pensasse que a ideia tinha mérito.

— Ainda não concordei com nada — disse ela, deixando a ponta dos dentes à mostra o suficiente para me lembrar quem ela era.

O brilho do celular dela, de repente, chamou minha atenção. Afastei-me da mesa, esticando meus longos membros, instintos de lobo vibrando com antecipação.

— Vou partir em uma hora — avisei, voz suave como seda, mas fria como aço. — Você tem tempo para pensar. Me procure quando estiver pronta. Não posso prometer amor, Aysel, mas vou me conter o suficiente para ser o companheiro que você precisa.

Ela franziu as sobrancelhas, a tensão na postura, o jeito que o rabo se mexia sutilmente sob o corpo adormecido; mesmo na civilidade, os lobos se revelam.

— E se eu não concordar? — perguntou, afiada, cautelosa, mas curiosa.

— Então você continua pensando — respondi, deixando um sorriso perigoso curvar meus lábios. — Só aceito uma resposta.

Outros poderiam chamar essas palavras de arrogância, mas eu — herdeiro dos Shadowbane, lobo Rafe encarnado — tinha a autoridade e os instintos para sustentá-las. Ela piscou para mim como uma corça presa à luz do luar, instintivamente ciente de que estava entrando numa armadilha. E, em algum lugar escondido dentro de si, ela sabia disso.

— Espera — disse de repente, voz carregada de confusão. — Você ia partir de qualquer jeito. Por que essa reação quando eu perguntei?

Encolhi os ombros, palmas levantadas inocentemente, orelhas lupinas se mexendo.

Ela saiu em disparada para a porta, rabo balançando, orelhas achatadas. Teatros de alfa — todos dela e meus — entrelaçados. Observei-a partir, sorrindo por baixo da calma, sabendo que a alcateia Vale e seu passado complicado a empurrariam de volta para minha órbita cedo ou tarde.

Deixei meu lobo se esticar no apartamento silencioso, garras arranhando levemente o chão. O plano nunca foi simplesmente usá-la, inicialmente, eu buscava uma loba capaz e ousada para compartilhar responsabilidades, uma companheira que pudesse suportar o caos da política da alcateia. Mas, depois de semanas observando-a — como ela ousava, como atacava, como explodia com uma força bruta e imprevisível — percebi que ela poderia me oferecer mais do que mera praticidade.

Aysel tinha fogo; ela tinha instinto. E o pensamento acelerava meu pulso, meu lobo se agitando, sentindo a emoção de uma caça que poderia durar a vida inteira.

A esposa por acordo — essa “companheira de protocolo” — eu encontrava satisfação na ideia. Ela me desafiava, testava minha paciência, sondava os limites da dominação. E, por trás da fachada cuidadosamente controlada, eu podia sentir o potencial para algo mais... volátil, emocionante e absolutamente meu.

A porta bateu atrás dela, e eu me recostei no sofá, olhos âmbar brilhando com uma antecipação calculada. Minhas garras flexionavam contra o couro, um eco silencioso do predador esperando o momento perfeito. Em breve, ela entenderia que estar perto de mim era mais que circunstância. Ela aprenderia que, na Alcateia Shadowbane, proximidade é sobrevivência e sobreviver tem o preço de se render, pelo menos em parte, ao alfa que te escolhe.

Expirei lentamente, o instinto do lobo se acomodando na paciência, deixando a tensão ferver na sala muito depois da saída dela. A Vale pode ter tentado aprisioná-la, mas aqui, comigo, Aysel Vale ou subiria ou queimaria.

De qualquer forma, eu estava pronto.

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