Ponto de Vista em Terceira Pessoa
— Damon!
A voz da Lady Blackwood ecoou pelo corredor de mármore, afiada como um chicote. Seu filho não se virou. Simplesmente seguiu adiante, com as pesadas portas da mansão estremecendo atrás dele ao se fecharem.
Ela o fitou com um olhar fulminante, o peito subindo e descendo com uma fúria contida.
— Lua lá no alto, que doença atormenta esse garoto? — murmurou.
Ele havia lutado por essa união, rasgando tribunais e conselhos para conquistá-la, e ainda assim não demonstrava um pingo de alegria. Seu temperamento era frágil, suas noites, inquietas. Ela sentia o cheiro de fumaça nele com frequência demais, até mesmo o leve aroma de bebida alcoólica que vazava pelos aposentos à meia-noite.
Quando ela perguntou se algo havia acontecido entre ele e Aysel, Damon respondeu apenas:
— Está tudo bem! — com o olhar distante e a voz vazia.
Agora, ele saía no meio da conversa como se nada daquilo importasse.
Os lobos de Moonvale tentavam disfarçar a irritação, mas a ausência da própria Aysel que sequer atendera ao chamado, os deixava sem argumentos. Então, eles sorriam por cima da tensão, falando sobre o banquete que se aproximava como se nada estivesse errado.
Só Celestine Ward observava as costas de Damon se afastando com um brilho estranho nos olhos, o canto da boca se contraindo num leve sorriso…
A matriarca Blackwood carregava uma dor de cabeça por causa dos humores do filho. Os lobos de Moonvale tinham um problema ainda maior, ninguém conseguia encontrar Aysel.
A celebração estava marcada para a noite seguinte, e ainda não havia notícias dela. Os anciãos da alcateia cochichavam sobre maus presságios, Luna Evelyn já não conseguia ficar parada. Finalmente, decidiu ir atrás da filha pessoalmente.
Ela se lembrou da pequena toca que Aysel havia escolhido anos atrás, quando deixou o território de Moonvale. Evelyn a seguira secretamente naquela época, curiosa para ver como sua filha rebelde sobreviveria fora da proteção da Alcateia.
A toca ficava perto das fronteiras das antigas terras da universidade, entre os lobos nascidos na cidade lotada, barulhenta, longe da serenidade das florestas de Moonvale. Evelyn esperava que a filha voltasse rastejando em poucos meses. Aysel, teimosa como pedra, não voltou.
O orgulho impediu Evelyn de intervir. Ela queria que Aysel aprendesse humildade, que sentisse o peso das próprias escolhas. Mas, com o passar do tempo, ao ouvir sobre a vida silenciosa e disciplinada da filha, a vergonha entrou sorrateira como geada. Ela pretendia oferecer um lar melhor, mas Celestine lhe disse que Aysel já havia se mudado.
Evelyn supôs que isso significava que Aysel aceitou a ajuda deles. Estava enganada.
Agora, diante da nova morada, um apartamento estreito de pedra sob a sombra de uma meia lua, Evelyn sentiu a primeira punhalada verdadeira de culpa. Até a menor propriedade dada a Celestine era maior do que aquela.
Quando Aysel abriu a porta, parecia calma, sua aura contida, embora Evelyn pudesse sentir o leve zumbido do sangue Alfa adormecido sob a pele dela.
— Mãe — disse simplesmente, convidando-a a entrar.
Evelyn se sentou rígida enquanto Aysel lhe servia água. O silêncio entre elas era pesado, denso de palavras não ditas.
— Este lugar é pequeno demais! — Evelyn falou por fim, com o tom tenso. — Vou pedir para o Fenrir encontrar um lar decente para você amanhã.
A resposta de Aysel foi baixa, mas cortante.
— Não faça isso. Eu não poderia arcar com a dívida.
Evelyn franziu a testa.
— Dívida? Você é do nosso sangue, Aysel. O que é uma casa comparado a isso?
O riso de Aysel foi frágil como vidro.
— Me perdoe, Luna Evelyn, mas lembro da última vez que peguei algo de Moonvale. Você fez questão de que eu devolvesse.


VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Filha da Alcateia (Aysel)
Comprei moedas e os Capítulos a partir do 96 não foram desbloqueados, site ruim....