Ponto de Vista em Terceira Pessoa
A risada baixa de Magnus ecoou pelo Salão Moonvale como um trovão distante, profunda, fria e carregada de poder. Até os lustres pareciam estremecer. Para o Alfa Remus e seu filho Fenrir, soava como o sussurro de um deus que não precisava de misericórdia.
— Então. — murmurou Magnus, com a voz sombria e divertida, — se tudo isso é apenas um mal entendido, por que não convidar a Luna e seus acompanhantes para descer? Afinal, é uma festa de aniversário.
As palavras caíram como uma lâmina envolta em seda.
Todos no salão sentiram o peso sob seus pés, a ira silenciosa do Alfa Shadowbane.
Ele não era apenas um convidado naquela noite; era o julgamento encarnado.
Aysel estava sentada ao seu lado, seus olhos dourados baixos, calmos como águas paradas.
Os lobos de Moonvale ainda não entendiam que seu escárnio, sua traição, o roubo de seu nome e de seus laços familiares haviam convocado a tempestade que agora se sentava ao lado dela.
Magnus continuou suavemente, os lábios curvados.
— Seria uma pena que eles perdessem essa celebração. Afinal, a Alcateia Moonvale se orgulha da sua unidade.
Fenrir engoliu em seco.
— Senhor Magnus, minha mãe... ela não está em condições de…
Magnus inclinou a cabeça, fingindo inocência.
— Não é conveniente? Então talvez meus homens possam ajudar.
Ele se virou levemente, a voz um comando.
— Jackson.
Da sombra na borda do salão, Jackson avançou com vários agentes da Guarda Shadowbane, lobos de terno preto, com sigilos prateados, cujo poder preenchia o ambiente como fumaça.
— Sim, Alfa! — disse Jackson com suavidade, fazendo uma reverência. — Vamos buscá-los.
Alfa Remus e Fenrir se enrijeceram. O mais velho tentou se levantar, mas a simples presença dos guardas o pressionou de volta à cadeira.
Uma onda de inquietação percorreu os presentes.
— V… vocês não podem… — Remus começou, a voz falhando.
Magnus apenas sorriu.
— Não posso? — Seu tom era ameno, mas seus olhos, aqueles olhos pálidos de lobo, glaciais e ancestrais, diziam o contrário.
— Deixe que venham, Alfa! — acrescentou suavemente. — Certamente sua Luna gostaria de ver o triunfo da filha dela.
Do estrado, Aysel ergueu a cabeça. A luz do fogo dançava sobre suas feições pálidas, sua garganta esguia sob a seda branca do vestido. Ela parecia etérea até frágil. Mas quando falou, sua voz carregava a autoridade silenciosa de uma linhagem renascida.
— Pai — disse, quase com gentileza. — Eu só queria que a mamãe me desejasse feliz aniversário. Isso é tão errado assim?
Suas palavras caíram como geada sobre o silêncio. A multidão se agitou, os olhos alternando entre ela e o Alfa que um dia a rejeitara. Até os lobos mais endurecidos sentiram um aperto desconfortável.
— Quem é você? — exigiu. — Como ousa invadir os aposentos da Luna?
O sorriso de Jackson se aprofundou. Longe da multidão, ele não se dava mais ao trabalho de fingir ser um mensageiro educado.
— Não há motivo para alarme! — disse com suavidade. — Nosso Alfa simplesmente acredita que a família deve celebrar junta. Certamente você não negaria essa alegria à sua filha?
Ela franziu a testa.
— O banquete ainda não acabou?
— Claro que não! — respondeu Jackson. — A filha legítima de Moonvale ainda está esperando.
Evelyn congelou. Legítima...
Sua mente girava. Aquela palavra só podia significar uma coisa.
Foi Aysel quem os chamou. Aysel a criança que ela e Remus haviam rejeitado.
As lágrimas de Celestine encharcavam a manga da mãe. — Mamãe, o que está acontecendo? — sussurrou.
Mas Evelyn não pôde responder. Porque, no fundo, ela já sabia.
Isso não era uma festa de aniversário.
Era o acerto de contas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Filha da Alcateia (Aysel)
Comprei moedas e os Capítulos a partir do 96 não foram desbloqueados, site ruim....