“Owen…”
Uma expressão de ciúmes passou pelo rosto de Elsie. Ela não podia deixar o irmão voltar para o lado de Yunice.
Ela precisava fazê-lo ficar.
Nesse momento, alguns bandidos se aproximaram, brandindo facas.
Owen imediatamente sentiu que estavam atrás dele e instintivamente recuou. Mas os homens o seguiram preguiçosamente, dizendo: “Amigo, você sabe que tem que pagar quando resolve jogar. Você não achou mesmo que podia fazer coisas ruins e não pagar o preço, né?”
O rosto de Owen ficou frio.
“Vocês foram enviados por Wyatt ou por Carl?”
Não… Carl me perdoou e até me deixou sair tranquilamente do hospital. Ele não voltaria atrás com sua palavra.
É isso! Tem que ser o Wyatt!
Os homens não responderam. Em vez disso, com a clara intenção de acabar com tudo rapidamente, um deles sacudiu a faca e investiu contra Owen.
Pego de surpresa, o rapaz só conseguiu recuar várias vezes.
Nesse momento, uma figura subitamente se posicionou à sua frente.
“Owen!”
A voz de Elsie ficou presa na garganta.
O que você…
Owen ficou atrás dela, com os olhos arregalados, enquanto observava a faca atingir o abdômen de Elsie e ser retirada na mesma hora.
O agressor franziu a testa e praguejou baixinho antes de se virar e ir embora.
O corpo de Elsie ficou mole e desabou nos braços de Owen.
“Você… Não! Droga, sua id*ota… por que se colocou na minha frente?” Ele pressionou as mãos contra o ferimento sangrento.
Pensando em como a havia acusado antes, Owen sentiu medo de que Elsie não pudesse sobreviver.
A culpa dominou o seu coração.
Droga! Droga! Droga!
Por outro lado, Elsie sabia que, ao ser esfaqueada em seu lugar, Owen estaria sempre ao seu lado dali em diante.
Em meio às lágrimas, ela sorriu e disse: “Você é a pessoa mais importante da minha vida. Você me deu um lar. Se você morresse, eu acabaria morrendo também. Então, se alguém tiver que morrer, que seja eu.” Enquanto falava, sua mão ficou mole.
Owen estava à beira de um colapso. Sentindo-se um criminoso.
Rígido e cambaleante, ele pegou Elsie no colo e a levou de volta ao hospital que tinham acabado de deixar.
Enquanto corria, o rapaz tentava confortá-la. “Não se preocupe. Vai ficar tudo bem. Não vou deixar nada te acontecer! Aguente firme!”
O que diabos aconteceu com essa víbora?
De volta ao quarto, sem estranhos por perto, Wyatt encostou-se à mesa e olhou para Yunice e Joe.
“Vocês dois planejaram isso?”
Joe riu baixinho. “Foi a senhora que me ensinou o que eu deveria dizer.”
Wyatt não pôde deixar de ver Yunice sob uma nova luz. “Achei que você não se daria ao trabalho de revidar.”
Ele estava certo.
Durante todo esse tempo, não importava a crueldade da família Saunders, Yunice sempre suportava tudo em silêncio e nunca reclamava com ninguém.
Mesmo quando Carl se tornou seu padrinho, ela nunca buscou piedade. Todos achavam que ela era apenas uma pessoa fácil de lidar.
Mas apenas Yunice sabia a verdade: ainda não havia chegado a hora de agir.
Carl tinha laços profundos com o passado. Ele ainda se sentia responsável pela órfã de Will. E Owen também era filho dele.
Então, mesmo quando o rapaz errava, Carl ainda fazia vista grossa graças à sua antiga lealdade.
Se ela tivesse continuado a depender do apoio dos outros, isso só teria deixado as pessoas irritadas e ressentidas.
Foi por isso que Yunice esperou até agora, deixando Carl vê-la em seu momento mais vulnerável e, em seguida, fazendo Joe relatar cada injustiça que havia sofrido na família Saunders.
Dessa forma, quando as emoções de Carl chegassem ao limite, ele reagiria instintivamente, deixando de lado todos os pensamentos sobre antigos laços e fraternidade.

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