Tommy tentou parecer casual. “Quero trabalhar, sabe? Continuarei procurando. Vou andar por aí e tentar encontrar algo legal.”
Yunice respondeu: “Sim, vá em frente. Você não precisa mirar em empresas de primeira linha logo de cara.”
Como candidato a emprego, o rapaz tinha uma falha fatal: sua reputação de deus das provas.
Pessoas como ele costumavam se considerar muito respeitadas. Mas esse título só funcionava na faculdade. Depois que você saía do campus e entrava no mundo real, as notas deixavam de importar.
Tommy não era um candidato promissor e nem tinha conexões. Seu único trunfo era sua formação acadêmica.
Mas, infelizmente, no mercado de talentos, as credenciais acadêmicas não eram tão importantes.
A prática e a boa experiência eram o que realmente importava.
Ele também não tinha o suficiente para se destacar, tanto que nenhuma grande empresa sequer cogitava contratá-lo.
Era uma situação um tanto complicada.
Yunice havia consultado especificamente o departamento de RH sobre essa situação. Se Tommy quisesse ascender socialmente, teria que começar de baixo, construir conexões, provar seu valor e só então as grandes empresas começariam a prestar atenção nele.
Mas, se o mesmo continuasse se achando tão superior, sua vida profissional passaria por um caminho longo e árduo.
O rapaz assentiu com a cabeça ao ouvir o conselho, agindo como se fosse levá-lo a sério. Mas Yunice sabia que Tommy não tinha ouvido uma palavra do que ela disse.
Nesse momento, começou a chover.
De repente, um carro buzinou ao longe. Ambos olharam e avistaram um Aston Martin subindo lentamente e parando suavemente.
Os degraus do hotel eram longos. Era claro que aquele veículo estava ali para pegar alguém.
Tommy congelou por um momento e então perguntou: “Esse carro está aqui para pegar você?”
Yunice não tinha certeza.
Só quando a porta do veículo se abriu e um par de sapatos de couro com sola vermelha tocou o chão que ela deu um passo à frente.
Então, um guarda-chuva com cabo prateado foi estendido do carro.
Yunice viu uma mão longa e bem definida segurando o guarda-chuva, enquanto a outra abria a capota.
No momento em que percebeu quem era, ela sorriu e disse a Tommy: “Desculpe, preciso ir.”
Confuso, o rapaz piscou e olhou para o carro.
Nossa! Da última vez, ela estava em um Maybach. Agora é outro veículo de luxo!
Yunice não percebeu o que Tommy estava pensando, pois toda a sua atenção estava em Wyatt.
O rapaz segurou o guarda-chuva e subiu os degraus para alcançá-la.
A escada era longa e alta. A princípio, tudo o que ela conseguia ver era a parte superior preta do guarda-chuva, sapatos de couro preto e as calças do terno.
À medida que se aproximava, Wyatt levantou o guarda-chuva, finalmente revelando aquelas feições familiares que Yunice não via há tanto tempo.
Feliz, a mulher desceu alguns degraus correndo. Então, Wyatt inclinou rapidamente o guarda-chuva para frente para protegê-la.
Ele passou o braço em volta da cintura dela, olhou para Tommy e perguntou: “Quem é?”
“Este é o Tommy. O melhor pontuador da faculdade de medicina. É o veterano que me esclareceu as coisas na transmissão ao vivo”, Yunice o apresentou.
Tommy se adiantou educadamente e ofereceu um aperto de mão.
Batata-doce assada? Como assim?
Ué? Não entendi!
Yunice continuou pensando até que finalmente se deu conta.
Daquela vez que Wyatt visitou a ala hospitalar, Tommy havia lhe trazido uma batata-doce assada.
Nossa, é sério? Esse cara se lembrou de algo tão insignificante esse tempo todo? Nem eu me lembrava mais disso!
Os dois não se falaram mais até chegarem ao Salão Pavilion. Então, Yunice disse de propósito: “Que batata-doce assada? Eu realmente não me lembro disso.”
Wyatt a encarou, sorrindo ironicamente. “Se você não se lembra, então deixa para lá.”
Tsc!
Não se lembrar de algo significa que aquilo não é importante. Se não é importante, por que ele está com tanto ciúme?
Yunice deslizou a mão na palma aberta de Wyatt e o seguiu até em casa.
Fazia quase dois meses que ela não voltava, e as novas flores plantadas no pátio estavam florescendo lindamente.
Sabendo que choveria hoje, as criadas haviam colocado capas sobre as árvores floridas, com medo de que a chuva estragasse as flores frescas.
Yunice entrou na sala de estar animada. Uma criada imediatamente lhe trouxe chinelos e uma manta.
Enquanto tirava os sapatos, ela disse: “Vou pular o jantar com vocês. Preciso ficar em quarentena por um tempo.”
Wyatt franziu a testa. “Mesmo em casa, você será tão rigorosa?”
Yunice murmurou: “O surto ainda não foi controlado.”

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