Mateus imediatamente deu a ordem:
— Tragam a Imperatriz...
De repente, alguém veio informar do lado de fora do salão.
— Imperador, a Imperatriz-Mãe enviou um comunicado chamando a Imperatriz para ir até ela.
O olhar de Mateus endureceu de repente, e ele se voltou para Íris.
Íris permaneceu calma como sempre, ereta como um cipreste.
Era evidente que tudo aquilo estava nos planos dela...
Ela realmente tinha pensado em cada detalhe.
Prevendo que ele a puniria, ela já havia recorrido à Imperatriz-Mãe como proteção.
O olhar de Mateus ficou frio e cortante, exalando uma ameaça terrível.
— Imperatriz, é melhor você rezar para poder permanecer no Palácio da Longevidade por toda a vida.
A Imperatriz-Mãe podia proteger ela por algum tempo, mas não pela vida inteira!
Íris fez uma reverência respeitosa.
— Me retiro.
Ela se virou para sair, e a expressão de obediência e respeito desapareceu imediatamente, substituída por uma frieza cortante como uma geada no inverno.
No Palácio da Longevidade, o incenso de sândalo se espalhava, fazendo os olhos arderem.
A Imperatriz-Mãe olhou para a Imperatriz à sua frente e sorriu com bondade.
— Fique tranquila, embora eu não possa te proteger por toda a vida, alguns dias ainda posso garantir. Mas... — Sua voz assumiu um tom preocupado, mudando de direção. — Se você pretende ganhar alguns dias e esperar que o Imperador se acalme, temo que não vai funcionar. Imperatriz, você precisa ter um plano.
Íris fez uma reverência respeitosa e disse:
— Obrigada, Imperatriz-Mãe. Nesses próximos dias, pretendo sair do palácio por um tempo.
Ela respondeu de forma meio evasiva. Na verdade, os dias em que ficaria no Palácio da Longevidade não eram para se esconder da punição de Mateus, mas para tratar de assuntos fora do palácio.
A Imperatriz-Mãe ficou surpresa.
— Sair do palácio?
“Sendo uma Imperatriz, como pode simplesmente sair do palácio?”, pensou ela.
Íris não explicou muito e se retirou, se dirigindo aos aposentos laterais.
Depois que ela saiu, a Dama Judite, preocupada, disse:
— Imperatriz-Mãe, o que a Imperatriz vai fazer fora do palácio? Se o Imperador descobrir que a Imperatriz-Mãe a protegeu, temo que até a Imperatriz-Mãe sofra alguma punição.
A Imperatriz-Mãe suspirou profundamente.
— Ela me livrou desse fardo chamado Felícia. Mesmo que queira deixar o palácio ou até deixar o reino, eu ainda assim vou fazer tudo para ajudá-la.
Pouco tempo antes, a Imperatriz tinha aparecido de surpresa no Palácio da Longevidade para cumprimentá-la. Disse que sabia do seu desgosto por Felícia e que poderia se livrar dela, mas queria, em troca, apoio depois.
Na hora, ela não acreditou, pensou que a Imperatriz só estava se gabando.
Mas, no fim...
A Imperatriz-Mãe abriu um sorriso radiante.
— Exílio. Felícia enfim teve o que merece!
A partir daquele dia, a vida no harém voltou a ter paz.
A Dama Judite, ao lembrar de tudo, ainda se sentia abalada. Nunca entendeu como a Imperatriz tinha conseguido se livrar de Félicia.
Felícia era a favorita do Imperador, a mulher do coração dele, e tinha sido condenada ao exílio. Diferente de ficar reclusa no Palácio do Esquecimento, dessa vez era realmente o fim.
...
— Não! — Felícia não acreditava no que tinha acabado de ouvir.
Num gesto desesperado, ela puxou o próprio decote com uma das mãos.
— Vossa Majestade não me deseja? O sangue do meu coração... Quanto quiser, eu dou! Sem mim, como vai ficar? Vossa Majestade!
Ela ainda tinha certeza de que ele só estava tomado pela raiva.
O olhar de Mateus permaneceu distante, quase vazio. Ele se virou, dando as costas a ela.
— Minha decisão está tomada.
— Não! Vossa Majestade, não vá embora! — Felícia se agarrou às pernas dele, como alguém que se afoga e encontra a última tábua de salvação. Sua voz parecia se rasgar. — Vossa Majestade! Vossa Majestade já esqueceu do veneno de Águas Celestes no seu corpo?
— Solte. — O rosto de Mateus revelou impaciência.
Felícia arregalou os olhos, sem acreditar que ele fosse tão implacável.
Ele ainda precisava dela como remédio vivo!
— Vossa Majestade, pode me castigar do jeito que quiser, mas não arrisque a própria vida assim! O Imperador está prestes a ter outra crise, não está? Não pode ficar sem mim... Já fui punida, reconheci meus erros. Me deixe ficar, me deixe continuar te dando o meu sangue. Por favor! — As lágrimas corriam, e sua voz tremia. — Eu não preciso mais do seu favor, só peço para viver como uma concubina comum, para ficar ao seu lado...
Os lábios de Mateus se moveram friamente.
— Já fui mais que generoso com você. O exílio é castigo, mas também é a última vez que te salvo. Daqui em diante, sua vida ou sua morte não vai ter nada a ver comigo.
— Não pode ser! E quando o veneno atacar de novo? O que vai fazer sem mim?
A voz de Mateus soou firme e pesada:
— Não preciso mais de sangue do seu coração.
O corpo de Felícia estremeceu inteiro.
“O quê? Ele não precisa mais de mim? Não! Isso é impossível!”, ela pensou consigo mesmo, quase louca.

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