Depois de cuidar de Felícia, Íris trocou rapidamente de roupa para um traje masculino e colocou uma máscara, retornando junto com Tônia para ver Leona.
Dentro do quarto, Leona estava sob os cuidados de Rayne.
Ela parecia uma criança assustada, encolhida no canto da cama, tremendo ao ver qualquer pessoa.
Quando Íris se aproximou, ela recuou e gritou:
— Não chega perto! Ahhh! Não me toca!
As feridas que essas pessoas haviam causado a ela eram como vermes que corroiam até os ossos, impossíveis de remover.
Íris, com um olhar cheio de pena, afastou a cortina e deixou que Leona ficasse sozinha.
A habilidade médica de Rayne era notável, nos últimos dias, com os remédios que ele havia prescrito, a condição de Leona tinha melhorado. Especialmente à noite, ela já conseguia dormir bem melhor.
Mesmo assim, ela não era como uma pessoa normal. No momento, era como um pássaro assustado, qualquer ruído ou movimento mínimo a deixava apavorada.
Íris pediu a Tônia que cuidasse da irmã no quarto, enquanto ela saía com Rayne para conversar.
Rayne, preocupado, comentou:
— Feridas externas podem ser curadas, mas feridas da mente... São mais difíceis.
Íris franziu a testa:
— Estou pensando em levar ela daqui em breve. Será que é possível?
Rayne balançou a cabeça imediatamente:
— De jeito nenhum! Acabei de ver a resistência dela com você. Durante a viagem, provavelmente pode haver muitos conflitos. Além disso, ambientes e pessoas desconhecidos só vão atrapalhar a recuperação dela e podem piorar a situação, anulando todo o progresso. Melhor esperar um pouco, até que ela melhore mais...
Íris falou com tom firme:
— E quanto tempo teremos que esperar?
— Depende da situação. — Rayne respondeu. — Pelo que vejo, pelo menos seis meses.
O olhar de Íris ficou sério.
Então não havia outra opção senão esperar. Para a total recuperação de Leona, não podia apressar nada.
Além disso, as informações que havia obtido de Felícia necessitavam de algum tempo para serem verificadas, e a origem do sequestro de Leona ainda precisava ser investigada mais a fundo...
— Edy? — Chamou Rayne, tirando Íris de seus pensamentos distantes.
Ela voltou à realidade e perguntou:
— O que foi?
Rayne entregou uma pílula a ela, cuidadosamente embrulhada em um pano:
— Esse é o antídoto para o veneno de Pesadelos Dourados. Aquela quantidade de antídoto que você trouxe da última vez me ajudou muito, e foi assim que consegui produzir esse. Para neutralizar o veneno, o ideal é tomar uma pílula a cada dez dias e, após cem dias, você vai ser completamente curada. Eu produzi dessa forma, mas depois consegui aperfeiçoar e descobri que tem como neutralizar o veneno de uma vez só, só atrasou um pouco. Tome logo.
Rayne realmente era um médico excepcional. Isso economizou muito esforço para Íris, evitando que ela precisasse ir atrás do antídoto com Mateus a cada dez dias, perdendo tempo na capital.
— Obrigada. — Disse Íris, confiando plenamente nele, e engoliu a pílula na hora.
...
— Naquele dia, a senhorita ia ao templo para tirar sorte. O Sr. Kleber havia colocado vários guardas para acompanhar ela, e, além de mim, apenas Laura a servia como dama de companhia. No caminho de volta, encontramos aqueles bandidos. Os guardas lutaram com os bandidos. Inicialmente, nós estávamos na carruagem com a senhorita, mas, ao perceber que os bandidos eram muitos e os guardas poderiam não resistir, Laura sugeriu que descêssemos da carruagem e fugíssemos pelo bosque. O bosque era cheio de mato e difícil de atravessar. Eu cai logo nos primeiros passos. Laura continuou sozinha com a senhorita, tentando fugir. Os bandidos estavam logo atrás, e, no fim, a senhorita foi... Foi capturada por eles...
Tônia engasgou em lágrimas ao chegar nessa parte.
— Senhora, há algo que nunca contei a ninguém. Na verdade, a senhorita voltou no caminho. Se eu não tivesse caído, a senhorita não teria voltado para me salvar. Ela teria conseguido escapar... Eu mereço morrer por não proteger ela e ainda a prejudicar! Eu, assim como quem traiu a senhorita, mereço a morte.
Leona sempre foi bondosa, salvar alguém não estava errado.
— E essa Laura, quanto tempo ela estava trabalhando na casa da família Castelo? — Íris perguntou.
Tônia respondeu rapidamente:
— Laura nasceu lá e era de total confiança. Naquele dia, ela também morreu no bosque tentando proteger a senhorita.
Íris olhou para Tônia e questionou:
— Então, aqueles bandidos deixaram você como a única sobrevivente?
Tônia assentiu:
— Sim, senhora. Eu desmaiei, e eles não me viram, ou acharam que eu estava morta.
O que ela contava coincidia bastante com o relato que os bandidos haviam dado sobre o sequestro.
Enquanto Íris permanecia em silêncio, pensativa, Ulisses voltou do bordel secreto, correndo para o pátio com uma expressão de choque.
— Senhor... — Ele quase chamou de “senhor general”, mas corrigiu a tempo. — Senhora! Preciso informar algo! Isso é algo que o senhor definitivamente não deve nem imaginar!

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