Ulisses tinha algo a relatar, e Íris logo dispensou Tônia, pedindo que voltasse para o quarto cuidar de Leona.
A luz fria da lua recaía sobre Íris, como se a envolvesse numa aura suave e enevoada.
Seu semblante permanecia impassível, sem espaço para sorrisos.
— O que foi que te deixou tão aflito? — Perguntou ela.
Ulisses quase engasgou com as palavras na boca.
— Aquela mulher... Conforme o senhor ordenou, eu a deixei temporariamente muda com um remédio e a mandei para um bordel. A cafetina, seguindo o costume, primeiro quis examinar o corpo dela antes de decidir se aceitava ou não. Eu fiquei esperando do lado de fora e, em poucos minutos, a mulher saiu furiosa, xingando e me jogando praga. Adivinha por quê?
“Adivinhar?”
Íris lançou um olhar afiado a ele que o fez engolir seco.
Ulisses não teve coragem de enrolar mais, e tampouco conseguia segurar a língua.
— A cafetina disse que aquela mulher nem sequer era uma mulher de verdade... Ela era uma pedra!
Ao ouvir isso, os olhos de Íris se estreitaram.
“Pedra?”
Ou seja, alguém sem aparelho reprodutor feminino, incapaz de transar com um homem, de gerar filhos, sem nunca ter menstruado. Então, aquele registro das menstruações de Felícia também tinha sido forjado.
Ulisses, confuso, coçou a cabeça.
— General... Mas aquela mulher não era a favorita do Imperador? Como é possível ser uma pedra? Se nem isso ela pode, como virou a concubina favorita? — Disse ele, já desconfiando se não seria o próprio Imperador o incapaz.
Íris também ficou surpresa.
Fora a hipótese de o Imperador ter algum gosto estranho, era praticamente impensável que uma mulher incapaz de transar fosse escolhida para o harém imperial.
Aquele segredo devia ser exatamente o que Felícia mais temia ver revelado.
Se viesse à tona, toda a glória e o favor imperial que recebeu se desmanchariam no ar, virariam motivo de riso.
Não era de se estranhar que, quando estiveram no cemitério abandonado, mesmo sob tortura de Tônia, Felícia não demonstrou verdadeiro pavor. Mas bastou ouvir que seria enviada a um bordel para se desesperar daquele jeito.
Ela devia ter um medo mortal disso.
O rosto de Íris se endureceu e perguntou:
— Onde ela está agora?
Um bordel aceitava qualquer uma, até mulheres desfiguradas, mas uma pedra era impossível.
Ulisses fez uma careta, sem graça.
— No começo a cafetina não queria ela de jeito nenhum. Disse que só daria prejuízo, ainda teria que gastar para cuidar das feridas dela. Mas eu dei umas moedas de prata e ela acabou aceitando. Disse que... Bem, que enquanto tivesse boca, já bastava. Que tem gosto para tudo, e vai saber se não aparece alguém que prefira justamente esse tipo...
O jeito de falar era rude, mas não deixava de ser verdade.
Íris lançou um olhar para o quarto iluminado, onde a chama das velas ainda tremeluzia.
Ali dentro repousava sua irmã, reduzida a um estado de inconsciência, sem previsão de recuperação, por culpa direta de Felícia.
Uma mulher que cometeu crimes tão graves não merecia qualquer compaixão.
Mas ela não sabia que quem entrava naquele bordel secreto jamais saía.
Estava destinada a passar o resto dos dias entre fantasias impossíveis e sofrimento.
...
Na manhã seguinte, no palácio, Mateus estava sério, com o semblante frio.
Ao saber do desaparecimento de Felícia, perguntou:
— Ela foi capturada ou fugiu sozinha?
Jorge, que apenas tinha ouvido o relato de dois guardas e ainda não tinha inspecionado o local, respondeu:
— Vou investigar agora mesmo, Vossa Majestade.
Mateus voltou a abaixar os olhos para os relatórios e disse em tom frio:
— Quero ela viva ou morta.
Felícia merecia a morte, mas tinha sido seu remédio vivo durante quatro anos. Por causa dele, não chegaria aos trinta anos.
Todo mundo podia traír ela, todo mundo podia matar ela. Mas, ele não.
— Transmitam minha ordem. Chamem a Imperatriz.
Omar arregalou os olhos, surpreso.
Será que o Imperador estava prestes a destituir a Imperatriz?

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