O castigo da Imperatriz de copiar cem vezes o Código do Palácio Imperial já era de conhecimento de todas as mulheres do harém imperial. E sabiam mais do que isso.
— Aqueles bens não foram todos enviados pelos nossos familiares, nós mesmas também enviamos algumas coisas. Mas a Imperatriz não delatou a gente, o que mostra que é sincera conosco.
— Ouvi dizer pelas pessoas do Palácio da Harmonia que a Imperatriz sempre se preocupou com as nossas dificuldades. Ela pretendia repassar aqueles bens para nós e não usou nada para si.
— E ainda preferiu assumir sozinha a culpa, para poupar a gente do castigo...
Quanto mais falavam, mais comovidas ficavam. Algumas até se emocionaram.
Afinal, sentimentos sinceros eram raros dentro do palácio.
A Concubina Imperial Wanda comentou com um ar arrogante e de desprezo:
— É porque vocês são todas tolas demais, são tão facilmente enganadas! Eu só sei que ninguém faz nada sem um interesse por trás. A Imperatriz deve ter tirado alguma vantagem disso. E vocês, agora, cheias de gratidão... É exatamente o que ela queria. Não existe essa de sentimentos sinceros quando todos se utilizam uns dos outros.
A Concubina Imperial Zora manteve sempre um sorriso tranquilo. Ela falou:
— Seja como for, o Imperador não puniu nossas famílias, isso já é uma grande sorte. E isso só aconteceu porque a Imperatriz assumiu tudo sozinha. Copiar cem vezes o Código... A gente devia ajudá-la.
Wanda franziu a testa, contrariada.
— Que pena. Estou ajudando minha tia a copiar sutras nestes dias.
Normalmente, Wanda tratava Zora como irmã, por esta ter alto status, igual ao seu. Mas não gostava que, em momentos importantes, Zora não estivesse do seu lado. Incomodada, saiu antes do fim da conversa.
Depois que Wanda saiu, a Dama Imperial Nancy foi a primeira a apoiar as palavras de Zora:
— Zora tem razão. Foi a Imperatriz que conseguiu trazer o Imperador aos nossos palácios, estou disposta a copiar vinte vezes para ajudá-la.
Zora sorriu e assentiu levemente.
Logo outras começaram a se manifestar:
— Eu também estou disposta!
— E eu! Meu pai até escreveu em uma carta que se arrepende de ter enviado ouro e joias ao Palácio Calistela. Durante dois anos, só recebiam presentes e nunca nos ajudaram a conquistar os favores do Imperador. Mesmo que a Imperatriz tivesse ficado com os bens, eu entregaria de bom grado. Afinal, foi graças a ela que consegui jantar com o Imperador!
— Exatamente! Também enviei muitas coisas para a Consorte Imperial e só recebi desdém, como se a gente não tivesse o direito de disputar o mimo do Imperador.
— Zora, a minha caligrafia não é muito boa. Se a Imperatriz não se importar, posso copiar dez cópias para ajudar.
...
No Palácio da Harmonia.
Copiar cem vezes o Código do Palácio Imperial não era um castigo tão severo. Mas para ela, preferiria ter levado vinte varadas. Não por preguiça de escrever, mas porque precisava imitar a caligrafia de Leona, o que demandava muito tempo. Felizmente, ela tinha Flora para ajudar.
— Consorte Imperial, por favor, entre!
A Imperatriz estava em prisão domiciliar. O Imperador havia proibido qualquer visita, mas abrira uma exceção para a Consorte Imperial, prova de seu favoritismo.
A Dama Marli invejava muito os servos do Palácio Calistela, todos se portavam como superiores. Se pudesse, adoraria servir a Consorte Imperial. Com a Imperatriz, provavelmente nunca teria a chance de ver o Imperador.
Felícia ignorou Marli e entrou diretamente no salão, falando:
— Saudações, Imperatriz.
Sua voz era melodiosa como o canto de um rouxinol.
Era a primeira vez que Íris via a Consorte Imperial Felícia. Sentada no assento principal, observou-a atentamente. Era exatamente como imaginara, sedutora e encantadora. No pescoço, ainda se viam marcas de beijos.
Um rosto delicado e gracioso, mas com atitudes ousadas... Essa mistura de pureza e desejo era o que mais atraía os homens. Não era de admirar que fosse a favorita do Imperador por tantos anos.
Elas poderiam ter vivido em harmonia, mas foi justamente essa mulher que usou métodos desprezíveis para prejudicar Leona...
Íris controlou, com muito esforço, o desejo de matá-la.
— Consorte Imperial, sente-se.

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