— Imperatriz, você está questionando o meu julgamento? — O olhar de Mateus escureceu, carregado de ameaça.
Íris o encarava com frieza.
"Então esse é o Imperador, por quem milhares de soldados juraram lealdade? Não é apenas um tirano, mas também um idiota."
Logo ela declarou com firmeza:
— Os crimes de Salomão não se limitam a ter mandado me sequestrar.
— E o que mais? — Perguntou a Imperatriz-Mãe, um pouco ansiosa.
Os traços de Íris se endureceram com severidade, ela disse:
— Antes, perguntei ao Salomão onde ele estava no dia dez de outubro, ele afirmou com convicção que estava de serviço no palácio. Depois, verificamos o registro de entradas e saídas da corte e a escala de serviço do Palácio Calistela, tudo batia com o que ele disse. Mas a verdade não era essa. Isso mostra que... — Ela ergueu a mão e, com um gesto firme, apontou diretamente para Felícia. — A Consorte Imperial, como chefe de seu palácio, não soube disciplinar seus subordinados. Além disso, estando de posse da Insígnia Dourada e sendo responsável por administrar o harém, permitiu falsificação de registros no palácio, o que é uma negligência grave! Parece que, em vez de cumprir seus deveres, só sabe bajular o Imperador. Uma mulher dessas é como um veneno no palácio, deve ser punida severamente!
Felícia ainda estava ajoelhada. Ao ouvir isso, seus olhos se tornaram sombrios, as unhas se enterrando na palma da mão.
"Me chamou de veneno? Tudo é claramente por inveja de eu ser a mais querida pelo Imperador!"
Mas as palavras de Íris foram certeiras, tocaram fundo no coração da Imperatriz-Mãe. Especialmente a parte de "só sabe bajular o Imperador" e "veneno".
— Imperador, a Imperatriz não está errada. Se Salomão conseguiu entrar e sair livremente do palácio, a responsabilidade recai sobre a Consorte Imperial! — Declarou a Imperatriz-Mãe.
Felícia levantou a cabeça e olhou para Mateus com os olhos marejados.
— Imperador, eu... Eu realmente cometi um erro...
Mateus lançou um olhar para sua mulher favorita.
— A Consorte Imperial foi negligente, vai permanecer no Palácio Calistela refletindo sobre seus atos.
Flora gritava mentalmente: “Que injusto! A senhora foi punida por muito menos, perdeu a mesada extra por um ano e ainda foi colocada em reclusão!”
Agora, a Consorte Imperial comete um erro tão grave e só recebe uma advertência?
Íris permaneceu em silêncio.
A Imperatriz-Mãe, embora não quisesse deixar essa chance de punir a Felícia escapar, conhecia o temperamento do Imperador. Se ele havia decidido protegê-la, nem mesmo ela poderia mudar isso.
Tão tomada pela raiva, ela se sentiu sufocada, levou a mão ao peito e disse à Dama Judite:
— Me ajude a voltar ao Palácio da Longevidade. Estou velha, ninguém mais quer ouvir o que tenho a dizer. Sendo assim, não faz mais sentido eu continuar aqui!
Depois que a Imperatriz-Mãe foi embora, os guardas levaram Salomão e o bandido. O salão antes lotado agora tinha apenas alguns poucos presentes.
Felícia ainda permanecia ajoelhada aos pés de Mateus, manhosa:
— Imperador, nunca imaginei que Salomão faria algo assim. A culpa também é minha, por confiar tanto nesse servo desprezível. Estou disposta a aceitar a punição.
— É difícil julgar o coração humano. Você não está errada. — Respondeu Mateus, mas enquanto falava com ela, olhou de forma nada sutil na direção da Imperatriz.
Flora estava à beira de explodir. Queria arrancar a máscara da Consorte Imperial e dar uns tapas na cara do Imperador! Mas ela era apenas uma serva, e não podia. Engoliu tudo em silêncio, com a mente fervilhando.
— Você não queria apenas provar sua inocência? Agora que os bandidos foram apanhados, que tudo se resolveu, pode continuar como uma Imperatriz limpa e pura. Do que mais você precisa?
— Desejo que a verdade seja revelada ao mundo inteiro. — Insistiu Íris.
Mateus respondeu sem margem para discussão:
— Eu permiti que investigasse, nunca disse que você podia tornar tudo público e escandalizar a corte imperial. Você quer manchar o nome da família Castelo inteira? E mais, como acha que eu me sentiria sendo ridicularizado pelo mundo inteiro por ter me casado com uma mulher que foi sequestrada por bandidos?
Imperador reclamava mentalmente: "Será que ela enlouqueceu?!"
Íris manteve o olhar firme, respondendo:
— Prefiro manter minha consciência limpa a ocupar uma posição inútil como a de Imperatriz.
— O que você disse?
O rosto de Mateus se contorceu de raiva. "Ela sabe muito bem o quanto outras mulheres dariam tudo para ocupar esse posto, e ainda assim diz que é uma posição inútil?"
Íris respondeu com serenidade:
— Só quero a verdade. Mesmo que isso custe meu posto como Imperatriz, não me importo. — Ela então se curvou novamente. — Se Vossa Majestade tem medo de que a reputação da família imperial seja manchada, então peço que me destitua do título de Imperatriz! Depois disso, eu mesma vou trazer a verdade à luz...
Antes que ela terminasse a frase, Mateus a agarrou pela gola e a ergueu com fúria, gritando:
— Leona! Você é ousada demais!

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