— Chegou o decreto imperial! Que a Consorte Imperial compareça para receber o decreto!
Vera ajudou Felícia a ir até o salão externo, onde fez uma reverência formal.
Então o eunuco começou a ler o edito:
— Por ordem do Imperador, o eunuco Salomão Nunes foi pego vendendo ilegalmente bens do palácio com provas irrefutáveis. A Consorte Imperial Felícia foi negligente em sua supervisão. A partir desta data, deverá entregar a Insígnia Dourada, que passa a ser administrada pela Imperatriz...
Ao ouvir isso, o rosto de Felícia mudou imediatamente.
"O Imperador está mesmo tirando de mim a Insígnia Dourada?"
E o decreto ainda não havia terminado:
— Além disso, a Consorte Imperial será rebaixada ao título de Esposa Imperial.
"O quê?"
Todos no Palácio Calistela ficaram boquiabertos.
Salomão cometeu o erro, mas por que Felícia estava sendo punida com tamanha severidade? Desde que conquistara os favores do Imperador, nunca tinha sido punida dessa forma.
Vera, em choque, segurou sua senhora para que não desabasse.
Felícia tentou manter a compostura, mas suas mãos tremiam, e seu rosto já não exibia o charme de antes.
— Eu... Recebo o decreto.
Depois que o eunuco se retirou, Felícia se sentou pesadamente num banco, o olhar vago, como se estivesse perdida nos próprios pensamentos.
Vera percebeu seu estado e fez sinal para que os demais criados se retirassem em silêncio.
O rosto antes encantador de Felícia agora exibia uma expressão sombria e distorcida.
— Vadia! Leona, sua vadia! O que ela disse ao Imperador? O Imperador nunca me tratou assim! Nunca!
— Senhora, se acalme... O Imperador ainda tem afeição pela senhora...
— Cala a boca! Todos vocês, saiam!
Felícia não queria ouvir mais nada. Ela só queria matar Leona.
"Desde que aquela vadia entrou no palácio, nada mais correu bem para mim!"
...
No Palácio da Longevidade.
A Imperatriz-Mãe estava tão indignada que nem conseguia tomar chá. Deitada em seu divã, se queixava amargamente:
— Devo ter pecado muito na vida passada para ter que passar tanta raiva nas mãos dele... Aquela Felícia, o que ela tem de tão especial para que o Imperador a defenda tanto? Quem mandou Salomão é óbvio para qualquer um. O Imperador está cego pela beleza, perdeu o juízo! Esse império de Gretis, mais cedo ou mais tarde...
Dama Judite logo a alertou:
— Imperatriz-Mãe, tem muitos ouvidos neste palácio.
Naquele momento, um eunuco veio trazer notícias:
— Imperatriz-Mãe, tem novidade do Palácio Calistela! A Consorte Imperial foi rebaixada a Esposa Imperial, e a Insígnia Dourada foi tirada dela!
Ao ouvir isso, a Imperatriz-Mãe se levantou num salto, o brilho de volta aos olhos:
— É verdade?
O Imperador disse que o assunto terminaria ali. Como então, de repente, veio uma punição? Ele finalmente acordou?
Dama Judite suspirou de alívio:
— Imperatriz-Mãe, finalmente aquela do Palácio Calistela aprendeu a lição. O Imperador, no fim das contas, ainda tem a noção de um bom filho, não quer ver a senhora irritada.
Mas a Imperatriz-Mãe balançou a cabeça, dizendo:
— Não, pode ser apenas encenação para me agradar. O Imperador é completamente enfeitiçado por aquela mulher! Você acha mesmo que ele teria coragem de puni-la? Espere só... Logo, logo ele vai correndo lá para bajular ela de novo.
— Chefe... Eu não quero morrer! Será que o que aquela mulher disse é verdade? Essa pílula nos faz parecer mortos? Não é veneno mesmo?
— Vamos apostar! Mesmo que seja veneno, ainda é melhor do que ser esquartejado amanhã! Ela prometeu que, se a gente cumprisse o combinado, teria uma chance de viver. E fora daqui, ainda vamos poder recomeçar!
Dito isso, o líder dos bandidos engoliu a pílula primeiro. Os demais, vendo isso, o imitaram.
Pouco depois, os guardas notaram algo estranho.
— Venham rápido! Alguns prisioneiros se envenenaram!
Como havia muitos presos, o legista examinou todos. Confirmando que estavam mortos, os corpos foram enviados para o cemitério dos indigentes, sendo jogados de qualquer jeito lá.
Logo após, uma grande carruagem chegou.
Dois homens fortes desceram e colocaram os corpos nela, um a um.
No sacolejar da viagem, os bandidos começaram a despertar. Os corpos fracos, sem forças, podiam apenas mexer os olhos e a boca.
— Onde... Estamos?
A carruagem parou.
Um homem de rosto pálido abriu a cortina e os apalpou, rindo perversamente:
— Esses coelhinhos estão no ponto. Por sorte, temos um cliente exigente esses dias, adora homens rústicos como vocês!
Os bandidos sentiram um arrepio na espinha.
— Espera! Onde estamos?! A gente... A gente não tinha escapado? Quem são vocês?!
— Vocês chegaram a um lugar maravilhoso. — O homem riu de forma arrepiante, o olhar lascivo e vulgar.
Foi aí que os bandidos perceberam o horror...
Eles haviam sido vendidos... Para um bordel masculino!

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