No Palácio Calistela.
O sol acabara de se pôr e os ferimentos de Felícia começaram a doer. A dor era tamanha que ela rangia os dentes, cada respiração parecia rasgar sua carne.
"Dói demais!"
Logo, Felícia já estava tão tomada pela dor que sua consciência começou a falhar. Suando em bicas, ela agarrou Vera com força e a repreendeu furiosamente:
— O remédio! Dê logo o remédio para aliviar a dor! Quer me matar de dor?
Vera tentou acalmá-la:
— O Médico Imperial disse que só depois de eliminar toda a Essência da Alma Presa é que a senhora pode tomar os analgésicos. Tenha um pouco de paciência, Esposa Imperial.
Vera também sofria. Sempre saía com os braços arranhados de tanto que a senhora os apertava. A dor era realmente insuportável.
Meia hora depois, Felícia estava coberta de suor, exausta, recostada na cama. Vera cuidadosamente tentou lhe dar o remédio.
Mas Felícia ergueu o braço e o jogou longe.
— Inúteis... Bando de imprestáveis! Aqueles Médicos Imperiais estão me fazendo sofrer de propósito! Já tomei tantos remédios e ainda não eliminaram essa maldita Essência da Alma Presa do meu corpo!
Vera tentou convencê-la com paciência:
— Esposa Imperial, se continuar tomando os remédios, logo vai se livrar da Essência da Alma Presa. O Médico Imperial disse hoje que a quantidade dela no seu corpo já diminuiu bastante...
— Chega! Até quando vou ter que suportar isso? — O olhar de Felícia era gélido e sinistro.
"Toda essa dor, queria tanto que Daniela e Leona também passassem por isso! Aquelas vagabundas devem estar se divertindo às minhas custas!"
De repente, ela mudou de assunto:
— E o Monte do Sol? A Imperatriz-Avó já recebeu a notícia?
Vera assentiu rapidamente:
— Sim, ouvi dizer que a Imperatriz-Avó já está a caminho do palácio.
Ao ouvir isso, o humor de Felícia melhorou.
"Em breve, Leona vai ser expulsa do palácio! Não, com um escândalo desses, a Imperatriz perdendo a castidade... A Imperatriz-Avó jamais deixaria isso se espalhar. Talvez até a matasse e dissesse ao público que foi uma morte por doença..."
...
À noite, no Palácio da Harmonia.
Íris se preparava para ir ao Palácio da Confiança.
Antes de sair, tinha o hábito de conferir as marcas de arranhão no pescoço. Elas foram deixadas sem querer pela Daniela no dia da partida de polo, quando Íris a salvou. Todas as noites, antes de se disfarçar para visitar o Imperador, precisava cobrir os arranhões com cosméticos.

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