Íris deu dois passos à frente, seu olhar era calmo, sem qualquer emoção.
Mateus pousou o livro com o semblante sombrio, os traços revelando insatisfação.
— O que foi? A Dama Iolanda não te ensinou como me servir?
Íris o observava com atenção, sem querer perder nenhum detalhe de sua expressão. Era evidente que ele também não queria consumar o casamento.
De repente, Mateus puxou o braço dela. A ponta dos dedos, através do tecido, pressionava com força o pulso da jovem. Seu olhar sobre ela era gélido, com um traço de violência prestes a explodir.
— Tem medo de sentir dor?
Íris franziu ligeiramente a testa. "Que dor? Estaria ele se referindo a... Aquilo? Ele realmente vai obedecer à Imperatriz-Avó e dormir comigo?"
Ela sentiu repulsa na hora, apertando os dentes com força e o encarando fixamente, sem responder.
O rosto belo de Mateus permanecia impassível. Uma de suas mãos ainda segurava o braço dela, e na outra... Surgiu de repente uma adaga.
Íris não demonstrou reação, mas sentiu certa estranheza. "Uma adaga? Para quê?"
Num instante, se lembrou da noite de núpcias: naquela ocasião, ele desconfiava de sua pureza e quis que ela provasse com a lâmina...
"Então agora ele quer que eu faça o que não terminei de fazer da última vez?"
As sobrancelhas de Íris se suavizaram um pouco. Se for isso mesmo, tanto melhor. Ela preferia fazer por conta própria.
Ela estendeu a mão para pegar a adaga. Mas ouviu a voz fria de Mateus:
— Não importa onde corte, só garanta que o lenço nupcial tenha sangue suficiente para apresentar como prova.
Então ele não queria que ela tirasse a própria virgindade, apenas queria que ela forjasse a prova.
Ao ouvir isso, as pupilas de Íris se contraíram levemente.
Vendo sua hesitação, Mateus achou que ela não tinha entendido. Seu rosto mostrou traços de impaciência.
— O lenço de núpcias. Entende ou não?
...
Fora do Palácio da Harmonia, Felícia estava tomada pela ansiedade.
Um eunuco se aproximou e fez uma reverência, dizendo:
— Esposa Imperial, a Imperatriz-Avó a está chamando.
Felícia não queria sair dali, mas se tratava da Imperatriz-Avó, até o Imperador a respeitava profundamente. Ela cerrou os dentes, lançou um olhar sombrio ao portão do Palácio da Harmonia e partiu.
No Palácio da Vida, mesmo com o corpo ferido, Felícia se forçou a fazer uma reverência, cumprimentando:
— Saúdo a Imperatriz-Avó.
Sentada atrás de uma cortina de seda, a matriarca nem olhou diretamente para ela. Mas, considerando o apreço do Imperador pela Felícia, também não a tratou com dureza, dizendo:
— Raramente retorno ao palácio, estava mesmo precisando de alguém para tomar chá e conversar. Esposa Imperial, sente-se.
Felícia havia cobrido as cicatrizes com maquiagem pesada, mas sob a luz do sol ainda se viam traços.
Mateus já havia organizado tudo. Assim que Dama Iolanda pegou o lenço nupcial, Nair rapidamente recolheu os lençóis.
— Ei! O que está fazendo?! — Iolanda tentou impedir.
Nair explicou:
— É uma ordem do Imperador. Todos os lençóis usados devem ser incinerados.
Esse gosto estranho do Imperador, Iolanda já ouvira falar. Era a primeira vez que presenciava. Mas isso era o de menos, o que importava era ter o lenço nupcial para entregar à Imperatriz-Avó.
Antes de sair, Iolanda se dirigiu até o banheiro, parou atrás do biombo e disse com um sorriso:
— Imperatriz, descanse bem. Que logo possa dar herdeiros ao Império! Estaremos esperando boas notícias!
Na banheira, Íris olhava friamente para o vazio.
Sob a água, minúsculas gotas de sangue ainda vazavam do ferimento na coxa. Ela não sentia dor.
Sua única preocupação era se conseguiria enganar a Imperatriz-Avó por completo.
...
No Palácio da Vida.
Quando o lenço nupcial foi entregue, Felícia também estava presente.
Seu corpo estremeceu. Ela olhou para o lenço com sangue, estarrecida, sem acreditar no que via.

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